Imane Khelif, pugilista argelina de 26 anos, tornou-se uma arma de arremesso político nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Muitos acusaram-na de ser transgénero, mas a verdade é que Khelif sobrepôs-se às adversárias e venceu a medalha de ouro em -66 quilos.
Já em março de 2025, Khelif foi afastada pela World Boxing para efetuar testes de género, comprovando ter nascido mulher. Khelif assume-se como intersexual (tem características tanto femininas, como masculinas), mas rejeita ser transgénero em entrevista ao jornal L'Equipe.
«Todos nós temos genéticas diferentes, níveis hormonais diferentes. Não sou transgénero. A minha diferença é natural. Sou quem sou. Não fiz nada para mudar a forma como a natureza me criou. É por isso que não tenho medo. Nos próximos Jogos, se tiver de fazer um teste, submeto-me a ele», garantiu.
«Tenho hormonas femininas. E as pessoas não sabem disso, mas já reduzi os meus níveis de testosterona para competições. Estou rodeada de médicos, um doutor está a acompanhar-me e fiz tratamentos hormonais para reduzir a minha testosterona. Para o torneio de qualificação para os Jogos de Paris, que aconteceu no Dakar, reduzi o meu nível de testosterona a zero. E ganhei a medalha de ouro lá», atirou.
Imane Khelif considera «inacreditável» ter sido criticada por figuras mundialmente conhecidas como Donald Trump ou Elon Musk. Tanto que as críticas afetaram não só ela, como à família. «Foi um choque, um verdadeiro golpe, não só para mim, mas também para os meus entes queridos. A minha mãe, a minha irmã mais nova e eu consultámos psicólogos durante mais de um ano após os Jogos», revelou.