Há um sério caso no futebol espanhol, no apuramento para o play-off de acesso à II Liga, que está a dar que falar… e promete continuar a ser jogado fora dos relvados.
No passado sábado, no grupo 1 da Primera División RFEF, que é a terceira divisão do futebol espanhol (equivalente à Liga 3 em Portugal), Real Madrid Castilla, Pontevedra e Barakaldo terminaram todos com 58 pontos, na disputa pelo quinto lugar, o último de acesso a esse play-off. E o conflito tem neste empate pontual a três clubes a génese de toda discórdia, que encontrou… ambiguidade nos regulamentos.
Ora, segundo o regulamento do campeonato, era o Pontevedra que garantiria o quinto lugar e consequente acesso ao play-off… mas o juiz único da competição confirmou que o apuramento era para o Real Madrid Castilla, fazendo prevalecer o regulamento geral da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), de hierarquia superior.
E o que difere entre ambos os documentos? Segundo o regulamento da Primera División RFEF, o desempate pontual seria feito entre os três clubes, sendo que nos jogos entre todos, Pontevedra e Real Madrid Castilla fizeram sete pontos cada e o Barakaldo três, com o Pontevedra a ter melhor saldo de golos do que o Real Madrid Castilla no total dos quatro jogos contra os dois adversários. Porém, o regulamento geral da RFEF estipula que o Barakaldo seja eliminado do confronto triplo e, no duelo direto só com o Pontevedra, o Real Madrid Castilla levou a melhor, pois venceu um jogo e empatou outro.
Confusão tal… até nas publicações oficiais dos clubes
A confusão foi tal no final dos jogos da 38.ª e última jornada, no sábado, que o Pontevedra chegou a festejar o apuramento com uma publicação nas redes sociais. «Somos de play-off», escreveu o Pontevedra. E até próprio sítio oficial do Real Madrid deu, inicialmente, o Pontevedra como classificado no quinto lugar. «Os golos de Pol Fortuny e Joan Martínez não foram suficientes para que a nossa equipa secundária chegasse aos playoffs de acesso à II Liga», escreveu-se, nas primeiras linhas do site do Real Madrid. O mesmo aconteceu com os canais oficiais da federação, que deram primeiramente o Pontevedra como quinto classificado. Cerca de duas horas depois, a polémica estalou com a retificação oficial e o apuramento atribuído à formação da capital.
Pontevedra recorreu, federação deu razão ao Castilla e galegos anunciam novo recurso
Ainda no sábado, a presidente do Pontevedra, Lupe Murillo, tinha anunciado que o clube iria submeter uma reclamação escrita à federação, argumentando sobre os critérios de desempate que foram aplicados à penúltima jornada. «O que é inaceitável é que, se se aplica uma regra na 37.ª jornada e estamos em vantagem na mesma situação, não é normal mudar os critérios no final da competição», defendeu, em declarações à COPE, assinalando ainda que as «normas da UEFA dão razão» ao Pontevedra e que ainda que o regulamento geral possa dar razão ao Castilla, as regras específicas do campeonato dão razão à equipa onde joga o português João Resende.
Ora, esta segunda-feira, o juiz único das competições não profissionais, Rafael Alonso, ratificou a decisão anunciada pela federação no passado sábado e confirmou o Castilla no play-off, num documento de 12 páginas em que é assinalado que «não há contradição entre as regras de competição da Primera RFEF e o Regulamento de Competição da RFEF». «Pelo contrário, a interpretação sistemática de ambos os conjuntos de regras é totalmente coerente», é acrescentado.
Perante isto, o Pontevedra anunciou que vai recorrer em segunda instância, num prazo de 48 horas concedido para o efeito. «O clube confirma que apresentará um novo recurso dentro do prazo estabelecido, reiterando a sua convicção de que a interpretação regulamentar defendida pela entidade se ajusta plenamente à normativa aplicável», dizem os galegos, em nota oficial.