Vários jogadores convocados por Paulo Torres manifestaram desagrado com a «desorganização» que estão a enfrentar desde que saíram de Lisboa na última quinta-feira.

«Estou triste com tudo isso. Se perdermos, vão dizer que não prestamos para nada, quando na realidade perdemos por falta de organização. Como é que é possível uma seleção na véspera do jogo não treinar», questiona da Silva aos microfones de uma rádio daquele país.

Recorde-se que a formação guineense concentrou-se em Portugal, de onde seguiu viagem para a Zâmbia, mas o itinerário traçado pelos dirigentes federativos está a revelar-se uma verdadeira odisseia.

«Gostava de saber quem escolheu esta rota. Isto é um crime o que estão a fazer connosco», sublinhou o médio Zezinho, que contratualmente está ligado ao Sporting.

Os jogadores guineenses tiveram, inclusivamente, que pagar do próprio bolso a estadia num hotel em Roma, onde fizeram uma escala superior a 14 horas, e de onde seguiram para a Etiópia.

«Quem escolheu este itinerário não percebe nada de futebol. Nem uma caravana de turistas merece este tratamento» disse Ivanildo, jogador da Académica de Coimbra.

A comitiva guineense, composta por 20 jogadores, seis dirigentes e corpo técnico, segue, agora, de autocarro da Etiópia para a Zâmbia.

«Mais de 25 horas de viagem é desgastante. Viajar de avião e depois de autocarro para ir jogar é complicado», disse o avançado Sami, jogador do FC Porto.

Entretanto, o diretor-geral do Desporto da Guiné-Bissau, Carlos Costa, garantiu que o Governo disponibilizou os meios necessários e que coube à Federação a escolha do itinerário da viagem, pelo que «as responsabilidades terão que ser apuradas».