O futebolista e capitão de equipa do Fenerbahçe, Mert Hakan Yandas, foi libertado de forma provisória na manhã desta sexta-feira, na sequência da audiência realizada no Tribunal de Çaglayan, em Istambul, a propósito do caso de apostas desportivas no futebol turco que levou à detenção de vários atletas das primeira e segunda ligas do país em dezembro.

«O nosso capitão Mert Hakan Yandaş foi libertado. Na audiência realizada no 3.º Tribunal Criminal de Primeira Instância, foi decidido libertar o nosso capitão Mert Hakan Yandaş e todos os réus que estavam detidos no caso», referiu o Fenerbahçe, em comunicado, poucos minutos depois da decisão.

Yandas compareceu perante o juiz pela primeira vez no âmbito do caso de apostas e manipulação de resultados, sobre o qual tinha sido pedida, pelo Ministério Público, pena de prisão de 17 anos e dez meses para o atleta de 31 anos.

Considerando o tempo sob custódia, o juiz solicitou a libertação de Yandas, assim como do membro do Congresso do Fenerbahçe, Ersen Dikmen, também envolvido no caso, ainda que de forma provisória.

Em declarações citadas pela imprensa turca, desde o Fanatik ao Cumhuriyet, Yandas disse não aceitar nenhuma das acusações» feitas contra si. «Nunca administrei nenhuma operação de apostas. Quero que saibam o quanto amo o Fenerbahçe e que jamais prejudicaria o clube (…). A minha luta vai continuar, continuo a ser um atleta honrado, puro e digno, que fez uma promessa ao seu pai quando tinha nove anos. Não venderia a minha honra e dignidade por alguns centavos», referiu Yandas.

«Conheci Ersen Dikmen nas redes sociais há 15 anos e a nossa amizade evoluiu. O Ersen esteve ao meu lado nos momentos difíceis e eu também sempre estive ao lado dele. A questão do dinheiro entre nós é simplesmente esta. As transações financeiras entre nós decorrem da nossa relação fraternal. Enviei-lhe 7 mil liras. Não sei o que ele fez com o dinheiro», prosseguiu Yandas, respondendo assim, quando o juiz lhe perguntou sobre conversas com Dikmen: «São conversas que tenho com todos, o tempo todo. Não há uma única conversa sobre um jogo do Fenerbahçe nos meus chats. Joguei todos os jogos pelo Fenerbahçe para vencer. Quem vende um jogo, vende a sua honra», respondeu.

Já Dikmen, também envolvido no caso, garantiu, na sua declaração, citado pela imprensa turca, que nunca apostou «para ganhar dinheiro ou lucrar». «As apostas que fiz foram normais e legais, eu jamais faria algo para prejudicar o Fenerbahçe», garantiu.

No tribunal, em Istambul, compareceu o presidente do Fenerbahçe, Sadettin Saran, assim como o treinador Domenico Tedesco e vários atletas, entre eles o ex-Benfica Kerem Aktürkoglu, a prestar apoio a Yandas. Também o jogador do Galatasaray, Metehan Baltaci, outro dos detidos em dezembro e libertado na última semana, compareceu para apoiar Yandas.