Paulo Fonseca, treinador do Olympique Lyon, voltou a manifestar-se frustrado com a guerra na Ucrânia, que começou faz agora quatro anos, apontando o dedo a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, mas também a Gianni Infantino, presidente da FIFA.

O treinador português de 52 anos tem uma forte ligação à Ucrânia, não só porque é casado com uma ucraniana, Kateryna, mas também por ter treinado o Shakthar Donetsk entre 2016 e 2019. Em entrevista ao jornal francês L’Equipe, Paulo Fonseca manifesta-se «frustrado» por não haver fim à vista para uma guerra que, segundo defende, piorou desde que Donald Trump prometeu uma solução rápida.

«Os ataques contra a Ucrânia são cada vez maiores e mais mortíferos. Tinha a esperança de que, com o tempo, as coisas mudassem, mas desde que o senhor Trump regressou ao poder e prometeu uma paz rápida, a situação piorou drasticamente», começa por destacar Paulo Fonseca nas páginas do L'Equipe.

Uma guerra que obrigou a mulher de Paulo Fonseca, Kateryna, a fugir de Donetsk para Kiev, em 2014, e, mais tarde, de Kiev para Portugal. «É terrível, muito difícil de aceitar. Alguns dias depois de termos levado os avós da minha mulher para Portugal, a casa deles foi completamente destruída. Não resta nada da sua cidade, perto de Donetsk», relata o treinador.

Paulo Fonseca destaca o apoio inabalável da Europa à Ucrânia e, acima de todos, destaca Emmanuel Macron, presidente francês, descrevendo-o como um «homem corajoso» e «um dos melhores aliados da Ucrânia».

Paulo Fonseca refere-se àa Ucrânia como «um país fantástico» e assume que já se sente «um pouco ucraniano». «Adoro Kiev, adoro a Ucrânia. Gostaria de lá voltar para trabalhar, para ajudar este país, para desenvolver o futebol, que tem um potencial imenso. Gostaria muito de voltar para treinar a seleção nacional ou para regressar ao Shakhtar. Sinto que, de certa forma, tenho de retribuir tudo o que me deram», referiu.

Uma guerra que já dura há quatro anos e Paulo Fonseca não esquece a interferência de Donald Trump, num ano em que os Estados Unidos vão receber o Mundial 2026. «A verdade é que nós, que amamos o futebol, gostaríamos que o Mundial se realizasse noutro lugar, e não nos Estados Unidos. Não neste momento», destacou.

Uma crítica que o treinador alarga ao presidente da FIFA que, ainda recentemente, sugeriu a reintegração da Rússia nas competições da FIFA. «É como o presidente Infantino que acha que a Rússia deve voltar a participar nas competições. Vamos jogar contra a Rússia em Moscovo enquanto os ucranianos não podem jogar no seu território? O país que é invadido não pode disputar as competições europeias em casa e a Rússia poderia? Para mim, isto é inaceitável», defendeu.

Paulo Fonseca encontra, aliás, um elo de ligação entre Infantino e Trump. «O presidente Infantino faz o mesmo que o presidente Trump. Olha para os interesses económicos e esquece-se das pessoas», destacou.

Neste sentido, Paulo Fonseca qualificou ainda como uma «vergonha» a entrega do prémio paz da FIFA a Donald Trump, em dezembro passado. «Sabe o que senti quando vi aquilo? Vergonha. É tão triste, o futebol não merece isto. É uma vergonha», acrescentou ainda.