As ligas profissionais de futebol em Portugal foram as que mais faturaram, em 2023/2024, com transferências de jogadores. No total entraram 178 milhões de euros nos cofres dos clubes e das SAD nacionais, um aumento de 35 milhões relativamente ao estudo anterior, assim o destaca o mais recente relatório sobre receitas e despesas dos emblemas europeus publicado pela UEFA.

Em análise estiveram 18 equipas portuguesas, no caso o FC Porto, Sporting, Benfica, Sp. Braga, Rio Ave, Arouca, Vitória, Casa Pia, Estoril, Casa Pia, Famalicão, Gil Vicente, Desp. Chaves, Vizela, Paços de Ferreira, Marítimo, Portimonense e o Boavista, que, entretanto, baixou os distritais da Associação de Futebol do Porto devidos aos graves problemas financeiros com que a SAD axadrezada ainda lida atualmente.

Tendo em conta essa amostra, o futebol profissional em Portugal gerou, há duas temporadas, uma receita de 618 milhões de euros. Desse total, 78 milhões de euros são referentes à venda de bilhetes para os jogos (subiu sete por cento), 182 milhões dos direitos televisivos, valor que não oscilou relativamente ao estudo anterior, e 167 milhões dos prémios distribuídos pela UEFA pela participação dos clubes portugueses nas provas europeias, que equivalem a 27 por cento da receita total.

O valor contabilístico líquido, englobando as infraestruturas e os ativos fixos, foi de 496 milhões, o que significa um aumento de 113 milhões de euros desde o relatório anterior.

Receitas sobem, mas os custos também

Por outro lado, as receitas com a venda de passes de jogadores atingiram os 178 milhões de euros. Subiram 35 milhões de euros em apenas uma temporada, com destaque para os 65 milhões de euros pagos pelo PSG ao Benfica pela contratação de Gonçalo Ramos ou os 60 milhões investidos pelo Al Nassr em Otávio e pelo Manchester United em Manuel Ugarte, médios de FC Porto e Sporting, respetivamente.

Portugal lidera mesmo este ranking no estudo elaborado pela UEFA, sendo que Sporting e FC Porto estão entre os clubes que mais dinheiro fizeram, esta década, com transferências de futebolistas.

No que toca aos custos, os salários (471 milhões de euros) absorveram 76 por cento das receitas conseguidas pelos clubes nacionais, sendo que os custos operacionais (295 milhões de euros) cresceram 15 por cento em apenas uma temporada. Isso ajuda a explicar que os resultados financeiros antes de impostos tenham sido, em 2023/2024, de 47 milhões de euros negativos.

Os clubes da Liga portuguesa acumularam mesmo um prejuízo de 148 milhões de euros em 2024, sendo que apenas dois deles conseguiram fechar o ano com proveitos.

Nota ainda para o facto de o património líquido dos clubes analisados ter subido 11 milhões de euros em apenas um ano, para os 77 milhões de euros. Porém, pelo menos 10 deles (três não tornaram públicos esses dados) tinham passivos superiores aos ativos e a dívida a instituições financeiras aumentou 29 milhões de euros, para um total de 706 milhões de euros, bem como os custos com as equipas, que subiu 78 milhões de euros (696 milhões de euros).

No que toca aos proprietários dos clubes, metade deles são detidos por acionistas privados, sendo que 15 integram grupos em regime de multipropriedade.

O cenário europeu

O relatório preparado pela UEFA analisou mais de 700 clubes a nível europeu e aponta para que, pela primeira vez, as receitas globais tenham superado a marca dos 30 mil milhões de euros, no ano passado. Em 2024, elas foram de 28,6 mil milhões de euros.

Para este valor contribui o aumento dos ganhos em receitas comerciais (10 por cento), nas bilheteiras (16 por cento), em direitos televisivos (cinco por cento) e nos prémios distribuídos pela UEFA, que terão superado os 900 milhões de euros, no ano passado.

No campo das receitas comerciais, o Real Madrid tornou-se mesmo no primeiro clube a ultrapassar a barreira dos 500 milhões de euros de proveitos.

Por outro lado, os custos também subiram no futebol europeu, sobretudo os relacionados com o financiamento dos clubes, que aumentaram em 50 por cento desde a pandemia de covid-19.

Em média, os ordenados dos jogadores pesaram nas contas dos clubes mais 1,8 por cento em 2024, mesmo que tenham baixado em cinco das 20 principais ligas europeias, incluindo a espanhola e a francesa.

Tirando os salários da equação, os custos dos clubes analisados absorvem 36 por cento das receitas angariadas, o valor mais alto registado em 15 anos.

No que toca ao mercado de transferências, foram movimentados 6,2 mil milhões de euros em 2024. Por outro lado, numa análise que englobou quatro mil futebolistas, apenas entre três e quatro por cento deixaram os seus anteriores clubes em fim de contrato.

Os custos associados a transferências baixaram de 1,1 mil milhões de euros, em 2023, para apenas 300 milhões de euros, em 2024, ano em que o lucro dos clubes antes de impostos foi de 53 por centro, que compara com os 45 por cento do ano anterior.

De referir ainda que os clubes analisados somaram prejuízos antes de impostos de 1,1 mil milhões de euros em 2024, um valor que cresceu 100 milhões de euros em apenas um ano.

Nota ainda para o facto de se registarem mais investidores em escalões secundários do futebol europeu, que preferem deter posições minoritárias nos clubes. Isto apesar de as injeções de capital e do investimento em infraestruturas terem atingido valores recorde.