Mourinho não comentou a ausência de Balotelli, a quinta seguida, na convocatória do Inter para a recepção ao CSKA Moscovo - «Não falo de jogadores não convocados» -, não falou sobre a liga italiana «porque quer continuar no banco» e perspectivou com prudência, afinal também o é, o jogo da primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Não foi explosivo e isso também não foi indiferente aos jornalistas italianos.
«O Inter está a fazer uma grande participação na Champions, a melhor dos últimos anos: oito jogos, quatro contra duas das melhores equipas do mundo e só perdemos com o Barcelona. O encontro com o Chelsea foi fantástico. E quem quer chegar aos quartos quer chegar às meias-finais e vamos fazer tudo para o conseguir. Temos crescido muito na Liga dos Campeões», analisou José Mourinho, nesta terça-feira, na antevisão da partida.
O treinador português estudou os russos e não confia neles. «Com o CSKA, espero um jogo feio, frente a uma equipa completamente fechada que vai obrigar-nos a jogar com muito cuidado. Com um adversário assim, teria sido melhor jogar a primeira mão em Moscovo. Se somos favoritos? Uma equipa que chega até aqui, que tem 70 por cento de internacionais russos, que não mudou muito desde 2005, não está em desvantagem», defendeu.
Se passar esta eliminatória, Mourinho terá pela frente Arsenal ou Barcelona e já sabe qual é o próximo adversário: «Não gosto destes sorteios em que sabemos logo quem vai ser o próximo adversário, seria mais interessante esperar para ver. Mas não penso sobre quem será melhor antes de passar à fase seguinte.»
Desafiado por um jornalista inglês a dizer o que seria mais histórico, se a conquista da Liga dos Campeões pelo Inter ou o campeonato inglês ao serviço do Chelsea, o técnico lembrou que precisa ganhar primeiro a «Champions»: «Tanto num caso como no outro, há um período temporal de cerca de 50 anos. A diferença é que aqui ainda não ganhei a Champions.»
Treinar bem, dormir bem e... beber água
Quanto à Série A e a possibilidade de o Inter continuar na frente, face à difícil recta final, Mourinho aproveita para mandar uma mensagem à equipa. «Penso jogo a jogo, mas um profissional de futebol que treine bem, durma bem e beba água pode jogar ao melhor nível todos os jogos até ao final da época», argumentou.
O silêncio no campeonato nacional é para manter. «Faz-me bem porque continuo no banco. Um treinador no banco não ganha jogos, mas o meu trabalho é estar o mais perto possível da equipa. E não falar sobre a liga italiana permite-me estar no banco e não ser desqualificado.»