Jesualdo lembrou que «há vários jogadores que abandonaram a selecção recentemente» e que os ciclos fazem parte de todas equipas. Em todo o lado. «Há grandes clubes que têm pequenas equipas e há pequenos clubes que têm grandes equipas. Porque são ciclos. Querem um exemplo? O Villarreal: um pequeno clube com uma grande equipa», disse.

Serve isto para dizer que o ciclo actual é de reconstrução. Por isso é preciso dar tempo a Queiroz. Até porque, garante, a falta de tempo e de planeamento já apresentou um preço caro para o futebol português pagar. «Nós fomos ao Mundial em 66 e voltámos vinte anos depois. Fomos ao Europeu em 84 e voltámos vinte anos depois», lembrou.

«As pessoas esqueceram-se do que aconteceu antes destes últimos dez anos em que conseguimos excelentes resultados. E garanto-vos que no passado tínhamos jogadores de mais qualidade do que temos agora, tínhamos grandes jogadores, tivemos gerações de jogadores fantásticos que não conseguiram apurar-se para uma grande prova.»

O que faz Jesualdo regressar ao início, aos grandes clubes com pequenos equipas e aos pequenos clubes com grandes equipas. «Os jogadores actuais têm qualidade, mas se calhar não revelam no conjunto tanta capacidade como os anteriores que saíram. E para eles adquirirem essa capacidade colectiva é preciso dar-lhes tempo de trabalho», frisou.

«Carlos Queiroz veio para projectar uma selecção ou para conseguir de imediato o apuramento para o Mundial? É isto que as pessoas têm que entender. Portugal teve grandes selecções, mas agora está num ciclo de mudança. A qualidade desta equipa é boa, mas precisa de trabalho para poder ser tão forte como a anterior», finalizou.