Em entrevista ao Maisfutebol, o futuro senhor engenheiro explica a multiplicidade de prazeres na sua vida. «A área de engenharia sempre me fascinou, apesar do desporto ser a minha paixão», diz-nos, numa visita guiada às instalações da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Entrevista a Seabra: um ano parado antes da boa nova de Mota

«Quando tive de optar por uma licenciatura, no 12º ano, hesitei entre engenharia e desporto. Optei pela primeira em função do maior número de oportunidades no mercado de trabalho. Na área de desporto está tudo cheio», confidencia-nos, certo de ter escolhido o menos rarefeito dos percursos.

«Na engenharia há muitas áreas por explorar e quando terminar o curso tenho várias opções: automação, energia, telecomunicações, por exemplo. Estou a dar-me bem e já sou finalista.»

Os insultos em vez do fato e da gravata

Recatado, discreto, Seabra é a antítese perfeita do estereotipado futebolista moderno. Vive para a família, não apresenta sinais de luxo ridiculamente descabidos, sabe o que quer e demonstra-o sem inibições. A família é a trave-mestra de uma carreira bicéfala e o futebol a prioridade actual, embora a engenharia esteja sempre à espreita.

«Na estreia só estive cinco minutos nervoso»

«A minha mãe diz-me muitas vezes: 'já viste, podias ser o senhor engenheiro, andar de fato e gravata. Em vez disso andas no futebol a ser insultado'. É claro que prefiro ser insultado, é isso que me apaixona. Mas no final da carreira de futebolista, imagino-me muito mais como engenheiro do que a exercer qualquer função no futebol.»

Na FEUP saltou do anonimato para se tornar numa das caras mais conhecidas dos labirínticos corredores. E até as bilheteiras do Leixões lucram com isso.

«Perder com o Setúbal foi um golpe duro»

«Contra o F.C. Porto tive mais de 50 amigos meus da universidade a ver o jogo. Quase todos me conhecem na FEUP. É engraçado. Não existem muitos casos como o meu no futebol profissional, mas acho que cada vez existem mais. Eu tive a sorte de ter sempre o apoio dos meus pais.»

Uma existência paralela e duas paixões

Seabra não o esconde: «É preciso abdicar de muita coisa e ter força de vontade» para conciliar duas paixões tão grandes. Anos a fio alternou os calções e as chuteiras com a capa e a batina; os gritos das claques com os cânticos das tunas; os estágios do clube com as longas noites de estudo.

Leia a entrevista com Pedro Seabra nas peças associadas e confira as imagens desta conversa no link referente ao vídeo.