Álvaro Braga Júnior, líder da direcção do Boavista, merece palavras de incentivo por parte de Jorge Silva. Isto, mesmo depois das desconfianças levantadas após a realização do amigável com o Benfica, que levou 20 mil pessoas ao Bessa e 60 mil euros aos depauperados cofres axadrezados. Tudo para ler na entrevista do capitão axadrezado ao Maisfutebol

Muito recentemente as bancadas do Bessa receberam 20 mil pessoas para um amigável com o Benfica. Essa noite permitiu aliviar um pouco o drama da vossa vida actual?

Sim. Temos muitas saudades desses ambientes. O Benfica teve a gentileza de fazer esse jogo. Foi muito interessante, acabámos por ganhar e isso também fez bem ao nosso ego. Mas a nossa realidade actualmente é outra. Temos de nos manter na Honra e depois pensar em reviver momentos desses.

A receita desse jogo rondou os 60 mil euros. Na altura causou alguma estranheza essa quantia não ter servido para regularizar salários. Isso foi resolvido entre o plantel e a direcção ou ainda não?

Tivemos a esperança que o dinheiro fosse canalizado para o plantel e para quem trabalha no futebol profissional. Mas foi-nos explicado que surgiram situações mais prementes. Foi pena, pensámos que daria para mais, mas havia coisas que teriam de ser pagas. De outra forma, o Boavista não poderia competir. Ainda agora quase acontecia o mesmo ao Estrela antes da partida com o F.C. Porto. Ficámos com pena que não tivesse sobrado mais para nós, mas foi-nos tudo explicado e temos de olhar em frente na busca de soluções.

Até final da época há a possibilidade de fazer mais algum jogo com esse cariz?

Seria bom e importante. Os calendários são apertados, mas tenho a certeza que tanto o Sporting e o F.C. Porto estão sensíveis à realidade do Boavista.

Como é a relação do plantel com a direcção: próxima e franca ou meramente institucional?

É uma relação de proximidade e de diálogo. De vez em quando o presidente transmite-me algumas boas novas, explica-me que esta ou aquela porta se podem abrir, enfim, tem sido inexcedível tal como o Manuel Barbosa e a Adelina Trindade Guedes. Fazem o que podem, mas precisamos de alguém que aposte em nós. O clube ainda pode ser um clube viável, não no imediato mas pode. Com este estádio, com a história, com as centenas de jovens que praticam cá desporto, só precisamos de alguém que tenha alguma paciência.