José Mourinho abordou, esta sexta-feira, em Madrid o encontro de ontem com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol Gilberto Madaíl em que foi convidado para gerir a Selecção Nacional nos próximos dois encontros da fase de qualificação para o Campeonato da Europa. O treinador do Real Madrid garante que foi «incapaz de dizer que não», mas garante que «não disse que sim», entregou a decisão «à capacidade de persuasão da Federação perante a direcção do Real Madrid», acredita que «não vai ser desta», mas que se for vem «por zero euros» e nem quer que lhe paguem a gasolina.

«Fui contactado pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol a solicitar-me meia dúzia de minutos de conversa e eu obviamente disse que sim, informando o Real Madrid desse encontro em que não sabia o que estava em causa, mas podia imaginar. O presidente da federação, de um modo muito objectivo e até emocional, pediu-me que, pelo facto de os campeonatos pararem durante 15 dias nesse periodo, haver uma debandada geral no Real Madrid e como tal a minha ausência não ir ter uma grande influência no meu trabalho aqui, tentasse ajudar a Selecção nesses dois jogos decisivos, que podem abrir a qualificação ou afastar a equipa de vez do Europeu. Disse-lhe o que pensava. Primeiro, que não é um treinador que em dois ou três dias que pode ajudar muita coisa; depois que os jogadores têm de ajudar com espírito de missão e não apenas passear classe e prestígio ganha nos clubes; que a imprensa tem de estar unida à volta da Selecção; e por fim que os portugueses têm de encher estádios para empurrar a equipa. A minha ajuda seria muito limitada. No entanto, como tinha prometido há algum tempo que a Selecção era um objectivo meu daqui a 20 anos a full time com total disponibilidade e sem tipo de limitação e também que num momento de aflição eu nunca diria não. Não lhe digo não, porque não ficaria bem comigo próprio, com o meu orgulho de português. Mas não posso dizer que sim, porque sou treinador do Real, tenho um trabalho que me apaixona, que é para os próximos quatro anos. Entreguei à sua capacidade para conseguir persuadir o Real Madrid a decisão e coloco-me fora das conversas e das decisões», explicou.

O «Special One» explica ainda que não cobraria nada à FPF pelos dois jogos: «Não teria nada a ganhar, só a perder. Felizmente não preciso de trabalho, estou sentado na cadeira em que 99,9 por cento do treinador gostariam de estar sentados. Não preciso de dinheiro. Informei que se fosse ia por zero euros, nem a gasolina queria me pagassem. Também não tenho necessidade de afirmação pessoal. Seguramente que não era eu que retiraria algo positivo desta chamada, apenas o sentimento de orgulho.»