«Em Portugal vivemos demasiado o dia-a-dia. Num fim-de-semana, por causa de um penalty, põe-se tudo em causa, mas 48 horas depois já está tudo esquecido. Isso não é um bom caminho. O bom caminho é termos instituições, clubes e associações que tenham projectos bem delineados, que tenham projectos com dimensão e sustentabilidade», destacou o governante, recusando relacionar as suas palavras com as recentes críticas do Sporting na final da Taça da Liga.

«Isto não tem a ver com a vida interna dos clubes, jamais falaria sobre isso, tem a ver com o objectivo deste curso, que visa qualificar agentes desportivos, árbitros, treinadores, jogadores para amanhã poderem exercer funções de responsabilidade na gestão de organizações desportivas. Os clubes precisam é de estabilidade. Esperamos que este curso seja um contributo sério para a modernização das nossas estruturas desportivas», acrescentou.

Laurentino Dias espera que este novo curso seja um espaço nobre para que as federações e os clubes possam beneficiar de quadros com maiores qualificações. Neste capítulo, o governante destacou o futebol como a única modalidade que tem capacidade para ter uma competição profissional. «Gostaria que até final do meu mandato ficasse bem claro o que é profissional e o que não é profissional. Hoje existem as ligas de futebol, a I e a II, e a liga de andebol. A liga de basquetebol acabou, a liga de andebol ainda existe de uma forma muito instável», destacou o secretário de Estado considerando que em Portugal não há mercado para outras ligas que não as de futebol.

«Só o futebol gera meio financeiros, mercado de treinadores e de jogadores que capacita ser classificado como uma competição profissional. As respectivas federações podem avaliar melhor do que eu, mas o que sinto é que não há mercado para as modalidades. Temos de chamar as coisas pelos nomes e não embarcar em coisas que nos levam para um mau caminho», referiu.

Quanto à Selecção Nacional, Laurentino Dias assume que as contas não estão fáceis, mas mantém total confiança quanto a uma possível presença no Mundial-2010. «É mais fácil ter confiança quando se está em primeiro, quando se está em terceiro ou quarto a coisa complica-se, mas não podemos deixar de ter confiança. Ainda é possível sermos apurados e se ainda é possível temos de ser os últimos a descrer. Espero que a selecção seja apurada para nosso futuro e para os milhares de emigrantes que estão à espera de ver a selecção na África do Sul», comentou.