Faltou-lhe em tantos momentos tentar menos uma finta, dar menos um passo, levantar a cabeça. Ser mais objectivo, depois do rasto de magia.

O argentino era isso: galvanizava-se com os primeiros dribles e queria passar com a bola por cima da linha de golo. Era aquele miúdo que joga connosco na rua e, isolado, voltava ao meio-campo para fintar mais três antes de rematar. Muito talento sim, mas, muitas vezes, disperso e desperdiçado. Os números desta época mostram que algo está a mudar. A transformação ainda não está feita por completo, mas decorre.

Do ano passado, o que lembramos? Sim, dois momentos fantásticos: um grande golo ao P. Ferreira, um monumental chapéu, com Maradona na bancada, ao Olhanense. E pouco mais... Di María nunca tinha marcado mais do que um golo num jogo antes de esta época. E também nunca teve tantas assistências (e ainda faltam nove jornadas), um sublinhado da sua influência no Benfica 2009/10.

Frente ao AEK, na Liga Europa, teve um dos momentos mágicos da curta carreira. Um golo de letra que levantou o estádio. E com o Leixões fez pela primeira vez um hat trick, depois de para trás.

Não há dúvidas de que este é o melhor Di María de sempre, mas também parece claro que, com trabalho e acompanhamento, isto é só uma amostra do que poderá vir a ser.