Uma vitória por 1-0 sobre o Fenerbahçe permitiu ao Benfica colocar-se em posição privilegiada para garantir o apuramento para o playoff de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.

As águias foram superiores à equipa turca e se há algo que podem lamentar desta noite no Estádio da Luz foi o facto de não terem construído um resultado mais seguro perante um adversário que nunca pareceu – por opção estratégica ou por mera insuficiência – capaz de se bater de igual para igual.

FILME E FICHA DE JOGO

Onze expectável de Rui Vitória. Sistema 4x3x3 com o pulmão Gedson no meio-campo e Facundo Ferreyra isolado no ataque e engolido pelos centrais Neustadter e Skrtel. O avançado argentino lutou mas, quase sempre sem o apoio necessário dos companheiros, raramente teve o tempo e o espaço necessários para causar mossa na hora em que esteve em campo. Só no final da primeira parte o argentino conseguiu libertar-se, quando ganhou a frente a Neustadter e atirou à figura do guardião turco.

A falta de peso dos encarnados no último terço é um problema que se arrasta desde os primeiros vislumbres deste novo Benfica e que fica mais visível perante adversários de calibre superior.

Demasiado previsíveis e com pouca velocidade na circulação de bola na primeira parte, só a espaços os encarnados conseguiram levar a equipa turca para fora da zona de conforto. Cervi foi quase sempre o mais inconformado, abrindo brechas sobretudo quando era solicitado em velocidade ou procurava terrenos interiores.

Com uma postura mais expectante e a tentar quebrar o ritmo das águias, o Fenerbahçe tentava viver sobretudo dos deslizes da equipa portuguesa ainda em fases recuadas do processo de construção, mas o quarteto defensivo das águias foi sempre competente no controlo das movimentações dos atacantes do conjunto turco, nesta terça-feira privado da força de André Ayew (castigado) e Soldado, que só foi lançado em jogo já nos 20 minutos finais.

Na etapa complementar, os homem de Rui Vitória foram mais acutilantes e jogaram instalados no meio-campo contrário. A diferença de postura notou-se logo no reatamento e tornou-se tendência.

Velocidade na circulação, mais presença no ataque e Pizzi e Gedson – este incansável no trabalho defensivo e com um envolvimento muito interessante também no trabalho de construção – a encostarem mais à frente.

Quase tudo o que não teve na primeira parte, o Benfica encontrou nos segundos 45 minutos. A águia levantou finalmente voo.

Acometido à zona defensiva durante toda a etapa complementar, a equipa de Phillip Cocu focou-se, sobretudo, em suster a pressão dos encarnados e em manter intactas as aspirações para a segunda mão no Bósforo. Para ter uma ideia, só para lá dos 90 minutos a equipa turca ensaiou o primeiro remate à baliza de Vlachodimos.

O golo de Cervi (69’), num remate rasteiro que até parecia ao alcance de Demirel, deu corpo ao ascendente total das águias na etapa complementar. Era apenas uma questão de tempo.

Por essa altura, Castillo já tinha sido lançado por Rui Vitória para o lugar de Ferreyra. Mais possante, o avançado chileno sentiu-se naturalmente melhor do que o argentino a jogar entre os centrais adversários e ainda ensaiou dois remates perigosos que poderiam ter dado os encarnados um maior conforto na eliminatória, o que até não seria desajustado face à superioridade evidenciada pelos vice-campeões nacionais.

Faltaram 45 minutos iniciais parecidos aos segundos.