Rui Borges, treinador do Sporting, em declarações na Flash Interview da Sport TV após o triunfo por 3-2 frente ao Ath. Bilbao, na oitava jornada da fase de liga da Champions.
Primeiro o PSG e agora o Athletic Bilbao
«Antes de mais, deixar aqui uma palavra de agradecimento. Apesar de não estarem aqui os sportinguistas, que em casa estiveram com toda a certeza e que passaram também esta energia que se sentiu no campo, hoje em casa, nós sentimos isso também. De certeza que todos os jogadores sentiram, principalmente, a força e a vontade deles em vencer e em criar algo histórico para o Sporting e para o nosso país. Depois, não há palavras para descrever a minha equipa. Os jogadores são incríveis. Eu disse-lhes isso: acho que eles são incríveis, independentemente do que acontecesse hoje no jogo. São muito bons, porque são uma grande equipa e um grande coletivo. Isso foi algo que também frisei antes do jogo: foi isso que nos trouxe até aqui, a lutar por este objetivo até ao fim, e conquistá-lo é extraordinário. Não há palavras para descrever aquilo que eles fazem, aquilo em que acreditam, aquilo que trabalham, o quanto acreditaram durante o jogo todo, não só na segunda parte, mas também na primeira. Dentro de todos os contratempos que fomos tendo, a malta soube reagir, não perdeu o equilíbrio, conseguiu ir e continuou a acreditar até ao fim. Acho que, por tudo o que fizemos ao longo desta primeira fase, esta conquista foi muito merecida.»
Quantas vezes olhou para o relógio?
«Olhei algumas vezes, mas não era para o final do jogo. Era para ver quanto tempo faltava, porque acreditava que a equipa ia conseguir virar o jogo. Estávamos muito bem. A atitude competitiva mudou da primeira para a segunda parte, a malta que entrou também foi muito importante. Depois, dentro de alguns comportamentos que fomos ajustando ao intervalo, mais em termos ofensivos do que propriamente defensivos, fomos melhores. Fizemos uma grande segunda parte e, volto a dizer, por tudo o que fizemos, não há palavras para descrever a grandiosidade destes rapazes.»
Falta de energia na primeira parte
«Não. Acho que nos faltava um bocadinho mais de energia. Estávamos lentos a tomar decisões. Eles pressionavam muito quando a bola entrava na primeira etapa de pressão. Nos nossos médios fomos falhando muitos passes. O intervalo foi mesmo para retificar, mas em termos defensivos não havia muito a retificar, porque o Atlético criou-nos perigo sobretudo em bolas perdidas nossas: muitos passes falhados, muitas transições, foi aí que nos causaram perigo. Por isso, defensivamente não tínhamos muito a mudar. Em termos ofensivos, sim: tínhamos de ser mais agressivos na tomada de decisão, antecipar decisões, jogar a um toque, para conseguirmos quebrar a primeira pressão e depois, sim, instalarmo-nos no meio-campo ofensivo. Dentro da nossa qualidade e das nossas dinâmicas, tentar dar a volta ao resultado.
Foi isso que a malta acabou por fazer. Percebeu o que tinha de fazer e fê-lo bem. Fomos claramente melhores na segunda parte em relação à primeira.»
Até onde vai o Sporting na Champions?
«Não sei. O sonho é jogo a jogo, é disputar o próximo. É perceber que, acima de tudo, ganhámos aqui algum respirar no nosso calendário, o que também é importante. Agora é focarmo-nos já no Nacional, porque vamos ter tempo para nos focarmos na Champions. Independentemente de quem for, vamos bater-nos, vamos competir e vamos continuar a querer marcar o nosso caminho de forma muito positiva e muito bonita.»
Entrar no playoff era extraordinário. E agora?
«Agora é extraordinário também, é muito extraordinário. Digo isso porque eles merecem. Para além de ganhar, demonstraram a qualidade que existe no Sporting, individual e, acima de tudo, coletiva. Aquilo que é um verdadeiro grupo, já o disse várias vezes, e não só nos jogos da Liga dos Campeões. O grupo é excecional: a família que eles têm, a amizade que têm, o compromisso que têm uns pelos outros, o respeito que têm uns pelos outros, é enorme. Só uma grande equipa consegue fazer estes feitos.»