A Roma é uma equipa que dispensa apresentações. A defender o estatuto de semifinalistas alcançado na época anterior, os romanos superaram a fase de grupos no segundo lugar, apenas atrás do Real Madrid. Ao contrário do ano anterior – ficaram em 3.º -  a formação da capital italiana ocupa o 5.º posto na Serie A e saiu da Taça de Itália humilhada pela Fiorentina (7-1).

Em suma, a temporada não está a corresponder às expetativas, sobretudo tendo em conta as contratações de qualidade que Monchi realizou no mercado de verão. Tanto Di Francesco como o próprio diretor-desportivo espanhol já foram alvo da contestação dos adeptos.

No cargo de técnico da Roma desde a época passada, Di Francesco construiu a sua equipa para procurar constante profundidade pelos corredores através dos laterais e gosta que os extremos jogam por dentro, não tanto para construir, mas para estarem próximos do avançado e das zonas de finalização. A ideia preconizada pelo italiano de 49 anos tem como base o 4x3x3, embora este já tenha experimentado o 3x5x2 em alguns jogos.

Onze mais utilizado:

O treinador giallorosso está obrigado a fazer alterações na equipa em vários setores. O guarda-redes Robin Olsen falhou a partida contra o Chievo Verona, da última sexta-feira, e está em dúvida para a receção ao FC Porto, podendo ser substituído por Mirante. Com a lesão de Juan Jesus, Marcano parece ter ganho o lugar a Manolas o lugar ao lado de Fazio, enquanto Karsdorp relegou Florenzi para o banco. No lado direito do ataque Under é a grande baixa para o jogo da Liga dos Campeões - rasgou no jogo ante o Torino – e será substituído por Justin Kluivert ou Patrik Schick. E El Shaarawy será o extremo esquerdo, à partida.

As soluções à disposição de Di Francesco são muitas. No entanto, a ideia de jogo mantém-se independentemente de quem joga e parece sempre curta para o potencial individual da equipa.

 

Disposição da Roma.

Organização ofensiva

A Roma gosta de sair a jogar desde o guarda-redes. Olsen não é Alisson, mas dá segurança na primeira fase de construção. Já de Mirante não se pode dizer o mesmo. Na primeira fase de construção, os romanos tentam sair da pressão contrária pelos laterais, projetando Kolarov e Karsdorp. Ao mesmo tempo, Cristante baixa para se juntar a Nzonzi, enquanto os extremos procuram o espaço interior, mais perto de Dzeko, e Zaniolo deambula nas costas dos médios contrários.

 

A imagem é paradigmática: dois médios juntos um ao outro, Zaniolo dentro tal como Kluivert; Karsdorp abre na direita, Kolarov está projetado na esquerdo e El Shaarawy está bem perto de Dzeko.

Fica a impressão que a Roma podia, porque tem jogadores com qualidade para isso, tentar atrair mais vezes o adversário dentro para depois sair por fora como tanto gosta. Uma das poucas variabilidades que apresenta no seu jogo é através dos laterais que, por vezes, forçam por dentro em condução.

 

Uma vez mais: laterais projetados, com destaque para Karsdorp que ataca a profundidade e vai receber de Fazio. Pastore solto entre linhas (raramente recebe naquela zona no meio-campo contrário), Pellegrini aproxima da direita e Cristante coloca-se entre os centrais. Ambos os extremos por dentro.
Tal como se escreveu: Karsdorp ataca espaço interior, Kluivert abre. El Shaarawy já estava dentro, ataca a profundidade e fica isolado. O lance acabará com grande penalidade a favor da Roma.
Uma vez mais: extremos bem dentro e El Shaarawy a aproveitar o espaço nas costas da defesa contrária. A jogada terminou com golo do internacional italiano.

É desta forma que a Roma gosta de atacar: profundidade pelos laterais ou diagonais de dentro para fora dos extremos. Quando a bola chega aos laterais numa fase mais recuada do terreno, o extremo aproxima e o médio salta para o espaço nas costas do lateral contrário.

 

Karsdorp (não surge na imagem) tem a bola, Florenzi aproxima e arrasta o lateral contrário. Cristante, inteligente, aproveita o espaço.

Para além de tudo o que já foi referido, é importante escrever umas linhas sobre Edin Dzeko. O bósnio é peça fundamental na equipa da Roma, não só pelos golos que marca, mas pela importância que tem na forma de jogar. O sub-capitão é a referência sempre que o guarda-redes não tem linhas de passe para sair a jogar ou quando os colegas querem superar a pressão alta contrária quer pelo ar, quer pelo chão.

 

Não só finalizador, mas também criador. Dzeko abandona frequentemente a marcação dos centrais e sai para receber, tocar e soltar. Muitas vezes, é com passes para o bósnio que a Roma supera as linhas de pressão contrárias. Depois de receber, avançado costuma tocar para os médios para que estes já recebam de frente para a linha defensiva oposta.
Mesmo em organização ofensiva, Dzeko gosta de sair do meio dos centrais para organizar. Também Zaniolo costuma pedir entre linhas, embora seja mais as vezes em que a bola segue para os corredores laterais do que as que entram dentro do bloco contrário.

Organização e transição defensivas:

Como é sabido, é impossível dissociar a forma como se ataca da maneira como se defende. A Roma projeta muitos os laterais, coloca os extremos por dentro e os médios tanto ficam por trás como integram espaços mais adiantados (às vezes intrometem-se dentro da área). Perante a forma de atacar, é comum a equipa de Di Francesco ser apanhada desprevenida. Nem sempre prepara a transição defensiva quando tem bola.

Mesmo contra o último classificado Chievo, na passada sexta-feira, os giallorossi viram o adversário criar uma mão cheia de oportunidades para marcar através de saídas rápidas.

 

Roma envolveu os três médios no movimento ofensivo, mais o lateral esquerdo e o trio ofensivo. Conclusão: uma bola recuperada pelo Torino à frente da sua área, permitiu-lhe sair em contra-ataque. Nenhum homem da Roma saiu ao jogador contrário que vai isolar Iago Falque (jogador de branco aberto na esquerda). O lance vai terminar com a bola a bater no poste da baliza de Olsen.

A forma que a Roma utiliza para anular os contra-ataques é simples: sobe linhas para tentar fazer com que o adversário fique em fora de jogo. Em vários jogos, esta foi a fórmula usada pelos romanos.

 

Outros dos problemas comuns da Roma são os movimentos de arrasto. Várias vezes os jogadores romanos são «enganados» pelos adversários desde a pressão na saída, o que condiciona toda a organização defensiva.

 

Kolarov subiu, a bola entrou no corredor e Fazio (bem) saiu na marcação. Manolas aproxima para proteger as costas do argentino, mas não vê que Karsdorp está atrasado na recuperação defensiva. A bola acaba por entrar no lado contrário.

Indicadores de pressão

A semifinalista da última edição da Liga dos Campeões define o momento em que a bola entra no lateral contrário para começar a pressionar. De resto, respeite outros indicadores de pressão como bola no ar, homem de costas, etc. No entanto, quando quer pressionar a saída de bola, o médio ofensivo pressiona um dos centrais.

 

Pastore pressiona central, Kluivert aproxima do lateral contrário e Schick fixa outro central. Pellegrini também acompanha o médio adversário.
Schick pressiona o lateral, mas os restantes colegas não acompanham. Quando se encontra em vantagem no marcador, como é o caso, a Roma baixa linhas - Dzeko junta-se à linha média - e dá a iniciativa ao adversário.

Bolas paradas

Os papéis são simples de ler. A Roma privilegia os cantos ao primeiro poste, onde surgem jogadores fortes no jogo aéreo como Dzeko, Fazio, Marcano ou Manolas. Quando têm livres nas imediações da área, os romanos tentam colocar a bola na zona do segundo poste para as referências acima citadas.

 

Pellegrini procura Fazio e Marcano na zona do segundo poste. Após um ressalto, o lance termina com golo da Roma.

FIGURA: Dzeko

Sub-capitão e figura maior da Roma. É garantia de golo - soma dez em 24 jogos - e é a principal referência ofensiva. Dá-se ao jogo, sai da marcação dos centrais e ora solta para quem está de frente, ora solicita a subida dos laterais. Tem uma ligação especial com Kolarov: o pé esquerdo do sérvio é o principal criador de situações de finalização para Dzeko tanto pelo ar como pelo chão. Uma ligação que o FC Porto deverá ter em conta.