Não é fácil escrever sobre um jogo destes. Mais ainda quando o Barcelona esteve tão longe, tão perto e quase caiu na Champions, mas afinal carimbou a passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões no último suspiro. QUE JOGO!
 
6-1 ao PSG, depois de ter perdido por quatro bolas sem resposta no Parque dos Príncipes na primeira mão.
 
Fez-se história em Camp Nou. Fez-se história na Liga dos Campeões. Fez-se história no futebol. 8 de março de 2017. E as mulheres vão ter de viver com isso a partir de hoje: este dia já não será só delas. É também do Barcelona. É de Luis Enrique. De Messi, Neymar, Suarez. De Sergi Roberto. Dos culés. 
 
Nunca ninguém tinha conseguido dar a volta a uma desvantagem de quatro golos na Liga dos Campeões, mas se havia equipa capaz de o fazer seria sempre o Barcelona. Não estava nos livros, mas ficou hoje escrito.
 
Ainda assim, não é fácil escrever sobre o que se passou nestes 90 e tantos minutos. Vejam o jogo. Voltem para trás na box. Uma e outra vez. Saberão de antemão que o Barcelona venceu, mas vejam-no. 
 
Teve de tudo e é certamente um dos mais incríveis de sempre: bom futebol, sete golos, duas grandes penalidades, um autogolo e uma arbitragem criticável. Lágrimas, de tristeza e de alegria. Acabou de forma incrível e com três tentos do Barcelona em menos de dez minutos, quando já poucos acreditavam que seria possível fazê-los, que seria possível remontar.
 

 

Suárez marcou logo aos três minutos de jogo, Kurzawa fez um autogolo aos 40 e fez o Barcelona sair para o intervalo a acreditar num desfecho feliz. Aos 50, numa grande penalidade, Messi também marcou e fez a crença virar quase certeza com o 3-0 no marcador.
 
Estava tudo encaminhado. TUDO. O Barcelona a sufocar o PSG desde o primeiro minuto, mais de meia hora para o final e 3-4 no resultado das duas eliminatórias.
 
Até que apareceu Cavani, já com Di María em campo. Minuto 62, golo do uruguaio e balde de água fria em Camp Nou. 20 golos de Cavani com a camisola do PSG na Champions - igualando Ibrahimovic - e o Barcelona obrigado a fazer mais três golos. 
 
E isso, já parecia impossível. Parecia.
 
O Barcelona começou a tremer, a ficar nervoso e a desesperar. Messi, Suarez, Neymar, Rafinha… todos apontados à baliza de Trapp e nada. Tudo ao lado, tudo para fora e o guarda-redes nem sujou as luvas. Os minutos a passar, o Camp Nou a sofrer. Meia hora para se jogar.
 
Luis Enrique mexeu na equipa, apostou no ataque e quis segurar o meio-campo; Unai Emery também mexeu, apostou na defesa. Turan, Sergi Roberto e André Gomes em campo, Aurier também.
 
Mesmo assim parecia que nada se iria alterar, até que Neymar puxou da genialidade. Minuto 88, livre para o Barcelona e o brasileiro para marcar. Pegou na bola, acreditou e marcou de forma soberba: 4-1 e «só» dois golos para a remontada à entrada para os 90 minutos.
 
Aos 90, mais uma grande penalidade para o Barcelona. Agora sobre Suarez. Messi até estava em campo, mas quem pegou na bola foi de novo Neymar. Confiante depois de fazer o 4-1, fez também o 5-1. O Camp Nou quase veio abaixo. Lágrimas, muita fé... e muito coração.
 
O árbitro deu mais cinco minutos de (jogo) nervos. Emery meteu Krychowiak em campo para travar o Barcelona. Parecia possível fazê-lo, até aparecer mais um livre para o Barcelona, insistência culé e também Ter Stegen ter subido à área contrária, para se tornar herói numa noite em que não teve muito trabalho.
 
Último suspiro, bola picada por Neymar para o segundo poste e Sergi Roberto também. Com 20 minutos em campo, acabou como herói desta noite, mas que ninguém se esqueça do que foi feito nos outros 70 e qualquer coisa, foi feita história por onze jogadores muito bons, contra onze igualmente bons.
 
No final, venceu o Barcelona. A equipa que dizem ser a melhor de todas. Hoje foi, só mais uma vez, incrível.