O Real Madrid voltou a bater o Benfica, desta vez por 2-1, no Santiago Bernabéu, e segue para os oitavos de final da Liga dos Campeões, onde poderá encontrar o Sporting. O Benfica chegou a empatar o play-off, por pouco mais de dois minutos, mas a verdade é que manteve a eliminatória viva até ao minuto 80, momento em que Vinicius fez o segundo golo dos merengues e acabou a discussão com mais um samba junto à bandeirola de canto.

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José Mourinho, castigado, não foi visto no palco do jogo, mas o treinador não deixou de meter os «dedos» neste jogo, recorrendo a uma expressão que o próprio já utilizou. Em relação ao onze inicial, apenas uma alteração, com a ausência de Prestianni a abrir espaço para a entrada de Richard Ríos, para um meio-campo mais musculado, com o colombiano a juntar-se a Leandro Barreiro e a Fredrik Aursnes, com o Benfica a apresentar-se, tal como o Real Madrid, num 4x3x3, mas com um ataque inesperado, com Pavlidis a cair sobre a direita, Schjelderup no lado contrário e Rafa Silva a procurar furar pelo meio.

Uma estratégia que surpreendeu o Real Madrid que, tal como no jogo da Luz, demorou a entrar no jogo, com o Benfica a explorar muito bem um enorme vazio que havia entre os médios e os centrais. A verdade é que, com os adeptos a puxarem pela equipa [fizeram-se ouvir ao longo de quase todo o jogo], o Benfica entrou novamente mais forte no jogo, com um bloco muito coeso, mas que se desdobrava no último terço, provocando o caos na defesa merengue.

Dedic conquistou o primeiro canto do jogo, numa altura em que a equipa de Mourinho procurava forçar o lado direito e foi por aí que Pavlidis escapou, ao minuto 14, no lance do primeiro golo do jogo. O grego cruzou tenso da direita, Asencio, ao tentar cortar a bola, quase fez autogolo, mas Courtois defendeu para a frente onde surgiu Rafa a ajeitar com a coxa esquerda, antes de marcar com o pé direito.

A eliminatória estava empatada e o Benfica deixava claro que tinha armas para olhar o gigante de Madrid olhos nos olhos, mas por pouco tempo. Bola ao centro, Vinicius abre na direita para Valverde que depois cruza atrasado para um grande pontapé de Tchouaméni. Menos de três minutos depois da festa do Benfica, o Real Madrid empatava o jogo e recuperava a vantagem na eliminatória.

Dois golos de rajada que levaram as duas equipas a levantar o pé. Com um ritmo mais baixo, o Benfica recuou linhas e chegou a consentir um segundo golo, marcado por Arda Güler, que viria a ser invalidado por fora de jogo de Gonzalo. O Benfica voltou a equilibrar-se atrás, antes de voltar a subir e até teve uma oportunidade soberana para passar novamente para a frente do marcador, num remate de Richard Ríos que obrigou Courtois à defesa da noite.

Pouco risco até aparecer Vinicius

A segunda parte foi bem menos intensa, com as duas equipas a arriscarem muito pouco, mantendo os respetivos blocos coesos mais atrás, para apostarem em rápidas transições. O Real Madrid procurava atrair o Benfica, para depois lançar Vinicius, enquanto o Benfica apertava o adversário com constantes incursões de Schjelderup a fazerem a cabeça em água a Arnold.

O Benfica ainda conseguiu recuperar um ligeiro ascendente sobre o adversário, face à menor pressão dos merengues, e Rafa ficou a milímetros de voltar a marcar, num remate de trivela à entrada da área, que sofreu um ligeiro desvio na bota de Asencio, com a bola ainda a beijar a barra. Pavlidis também arrancou um bom remate, num lance em que Carreras chocou com Rudiger.

O Benfica parecia estar a crescer, mas voltou a quebrar depois das primeiras alterações promovidas por Álvaro Arbeloa. O Real Madrid fechou-se a sete chaves, com duas linhas de quatro bem juntas, que o Benfica sentiu muitas dificuldades em ultrapassar. Não marcou o Benfica, voltou a marcar o Real Madrid, com Valverde, junto ao círculo central, a lançar Vinicius que, com muito espaço, derivou da esquerda para o interior da área, para depois marcar co um remate cruzado. Tal como no jogo da Luz, o brasileiro foi sambar junto à bandeirola de canto.

Estava feito. João Tralhão ainda lançou Ivanovic, Barrenechea e Sidny Cabral, mas o Real Madrid já tinha fechado o jogo a cadeado.

Com duas vitórias, o Real Madrid segue para os oitavos de final, mas pode ter de regressar a Lisboa em breve, uma vez que, no sorteio da próxima sexta-feira, será um dos possíveis adversários, a par do Bodo/Glimt, do Sporting.

Figura: Valverde equilibra e decide

Valverde foi um pendulo constante no Real Madrid, procurando manter o ténue equilíbrio entre a defesa e o ataque, em constantes movimentações, caindo para as alas, tanto para ajudar a defender, como para ajudar a atacar. Jogou mais tempo sobre a direita, de onde fez a assistência para o golo de Tchouaméni, mas foi muitas vezes colmatar as subidas dos médios no corredor central. Foi precisamente do circulo central que o internacional espanhol arrancou o passe que lançou Vinicius para o golo da vitória. Duas assistências perfeitas para a reviravolta merengue.

Momento: outra vez Vinicius a sambar

Mais do que o momento do jogo, é o momento da eliminatória que, até aos 80 minutos, esteve sempre aberta, com apenas um golo de vantagem para o Real Madrid. Um segundo golo do Benfica deixava tudo empatado, mas foram os merengues que voltaram a marcar, pelos pés do protagonista da Luz. Grande passe de Valverde a lançar Vinicius que, com espaço, derivou da esquerda para o interior da área e bateu Trubin com quis.

Positivo: grande noite de Schjelderup

Grande jogo do jovem norueguês sobre a esquerda do ataque do Benfica. Fez a cabeça em água a Arnold, com constantes incursões em drible. Criou uma grande oportunidade ainda na primeira parte e voltou a aparecer em destaque na segunda, com destaque para mais um cruzamento que rafa tentou desviar de calcanhar. Acabou por deixar o deixar o campo, esgotado, aos 85 minutos.