Rui Borges, treinador do Sporting, em declarações à Sport TV, depois da goleada ao Bodo/Glimt (5-0), em jogo da segunda mão dos oitavos de final da Liga dos campeões.

Era este o Sporting que pretendia para esta noite?

«Antes de mais, deixe-me dedicar esta vitória aos meus pais, à minha família, ao meu filho porque merecem, sofrem muito comigo. Tenho saudades deles e eles estão lá sempre a torcer por nós. Nunca o fiz, mas hoje acho que é uma vitória para dedicar a eles. Em especial à minha estrela que é o meu avô».

«Em relação à vitória, é um bocadinho a frase que disse hoje na palestra: nós conhecíamos o melhor Bodo, o Bodo não conhecia o melhor Sporting. Hoje tínhamos de ser o melhor Sporting e fomos. Eles estiveram ligados. Senti, desde o primeiro dia em que começamos a treinar, que a energia era diferente. A vontade de fazer algo diferente era infinita. Com o passar dos dias, juntamente com os adeptos, com a energia que foram passando, senti claramente que ia ser uma noite diferente. Podíamos estar aqui e termos ganho 2-0 e não termos passado e eu estaria aqui super-orgulhoso por tudo o que tínhamos sido capazes de fazer. Mais do que qualquer estratégia de jogo, teve a ver com a crença, com a vontade e com a intensidade que nós metemos no jogo, nas nossas ações individuais e coletivas. Isso fez toda a diferença.»

Foi uma exibição de cabeça fria e coração quente?

«Era um pouco oque tinha dito antes do jogo. Sabíamos que nas poucas coisas que íamos criando em Bodo, não podíamos entrar em demasiado jogo interior, tínhamos de explorar mais os corredores. As oportunidades que tivemos em Bodo foi sempre pelos corredores, foi sempre em diagonais de forma vertical, entre lateral e central. Passamos o jogo todo a fazer isso. A equipa percebeu, sabia muito bem o que tinha de fazer em termos ofensivos e defensivos. A malta que jogou, a malta que entrou foi extraordinária ao longos destes 120 minutos. Mais do que tudo, eles estavam completamente ligados e queriam muito virar o jogo porque sabíamos que no jogo de Bodo não tínhamos sido o Sporting que somos sempre. Acontece, faz parte, termos um jogo menos bom. Eles merecem esse respeito da minha parte de todos. Não são máquinas. Hoje foi do 8 ao 80. A intensidade foi altíssima, o jogo todo, caímos na parte final do prolongamento, mas é normal. Estiveram perfeitos naquilo que era a parte estratégica.»

Houve a necessidade e da resposta à exibição na Noruega?

«Vou ser muito honesto e vou defender os meus jogadores. Eu percebo as críticas, mas eles não as mereciam por tudo o que têm sido capazes de fazer até aqui. Podíamos estar aqui eliminados, não havia problema, ia dizer que os meus jogadores são fantásticos e merecem tudo. Têm sido todos estupendos. Ficámos desiludidos porque ficámos longe do que nós somos. Mal acabou o jogo, era o sentimento único de todos. Aqui sabíamos que ia ser diferente. Os adeptos hoje foram fenomenais. Têm sido bons, mas hoje foram como nós, foram extraordinários e muito importantes nesta remontada».

O Sporting hoje foi gigante?

«Os verdadeiros campeões caem e levantam-se as vezes que forem preciso. Se for uma levanta-se, se foram duas ou três levantam-se. A resiliência deste grupo é inabalável e infinita e isso tem sido demonstrado desde que cheguei aqui».

É a vitória mais importante da carreira?

«Não, a vitória mais importante tem de ser no domingo. É um jogo importante, é um jogo que marca o meu caminho, mais um. Continuo a marcar de alguma forma a história do Sporting e é isso que me deixa feliz, mas amanhã já estou a pensar no Alverca».