Rui Borges, treinador do Sporting, em declarações após o triunfo por 5-0 frente ao Bodo/Glimt, na segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Renovação ficou mais cara?
«Eu sou feliz. Já disse que não perco tempo a pensar nisso. Disse desde o primeiro dia em que cheguei ao Sporting, e desde o primeiro dia em que comecei como treinador: não é o dinheiro que me move. É a paixão pelo jogo, é o sonho de ser um bom treinador e, acima de tudo, uma boa pessoa e um bom ser humano, que acho que sou. Isso é o que me deixa feliz, mais do que tudo o resto. Nunca será o dinheiro a mover-me. Sou feliz por ter a minha família, e isso é a maior felicidade da vida de qualquer ser humano. Não é o dinheiro que me preocupa, nem sequer perco tempo a pensar nisso, muito sinceramente.»
Jogadores cumpriram o plano
«Claramente que sim, senão não teríamos conseguido passar. O Bodo é uma boa equipa, competitiva, intensa, com muitos bons jogadores, isso foi demonstrado no primeiro jogo. Eu disse que tinha de ser um jogo quase perfeito, extraordinário e foi isso que aconteceu. Foi um jogo perfeito. Talvez pudéssemos ter marcado mais cedo, mas fizemos muito, criámos muito, fomos capazes de fazer muito. A equipa nunca perdeu o foco na estratégia, naquilo que tinha de fazer e fê-lo muito bem. Durante os 90 minutos, não entrámos em desespero por causa dos golos. Ao intervalo pedi isso mesmo: não pensar na reviravolta, mas sim no próximo golo, no 2-0. Depois veríamos até onde conseguiríamos ir. O futebol não é uma ciência exata. Às vezes fazemos dois golos em poucos minutos, outras vezes só mais tarde. É isso que o torna bonito. Falámos do ‘coração quente e cabeça fria’, e foi isso que tiveram.»
Ficou surpreendido pela diferença entre as mãos?
«Fiquei surpreendido no jogo de Bodo, pela nossa incapacidade de sermos melhores. Hoje não. Hoje sabíamos exatamente o que tínhamos de fazer, em termos estratégicos, intensidade, controlo do jogo. Tínhamos de evitar um jogo de transições constantes, controlar a posse, fazer ataques mais longos. O Bodo fecha muito o centro, e sabíamos que tínhamos de explorar mais os corredores. A equipa acreditou totalmente no plano e executou-o na perfeição.»
Ancelotti disse que o Bodo era a melhor equipa europeia a defender
«Eu percebo o que disse Ancelotti. É uma grande equipa em termos defensivos. Não acho que seja a melhor da Europa, mas é uma das melhores. Também jogou contra uma equipa que é das melhores em termos de jogo ofensivo da Europa, o Sporting. Era um desafio para nós também, nesse sentido. Conseguimos bloquear uma organização defensiva forte. É forte pela intensidade que metem no jogo, metem nas suas ações. Agora, como eu disse, nós conhecíamos melhor o Bodo e eles não conheciam melhor o Sporting. Sabíamos de que forma poderíamos ferir o Bodo e por onde é que tínhamos que entrar para não deixar o Bodo fazer o jogo que gosta, onde está confortável.»
Palavras para Knutsen no final
«Dei os parabéns ao adversário e desejei-lhes sorte para a época. É uma grande equipa, muito forte defensivamente. Não digo que seja a melhor da Europa, mas é das melhores. E nós também somos muito fortes ofensivamente. Foi um grande desafio, e conseguimos superá-lo. Sabíamos exatamente onde podíamos ferir o adversário, e conseguimos fazê-lo. A equipa acreditou e executou tudo de forma perfeita.»