Kjetil Knutsen, treinador do Bodo/Glimt, em declarações na conferência de imprensa após a derrota por 5-0 frente ao Sporting, na segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, que ditou a eliminação dos noruegueses.
Análise do jogo
«Primeiro, quero tratar do mais importante. Dar os parabéns o adversário, uma equipa que joga sem pensar nas consequências, que fez um jogo de futebol impressionante, e quero felicitá-los por seguirem em frente. Merecem-no após os dois jogos. É uma equipa que joga de forma positiva, entra em campo a acreditar que as coisas se vão resolver e correr bem. Sinto que não conseguimos elevar o nosso nível em nada. Não elevámos a intensidade, não elevámos a energia. Ficámos aquém em muitas situações. Mesmo até perto do fim ainda acreditávamos, mas não foi por dois minutos foi talvez por quatro.
«Temos de avaliar muitas coisas. É importante assumirmos a responsabilidade enquanto grupo. E eu próprio, juntamente com a equipa técnica, escolhi um onze que não foi o mais acertado. Sinto que não estamos ao nível em que devíamos estar. Estamos num processo de evolução, a tentar ajustar coisas. Tentamos integrar jogadores mais frescos. Passámos de 4-4-2 para 4-5-1 e depois de volta a 4-4-2, mas acabamos por ficar demasiado distantes da nossa identidade. É difícil explicar tudo. Temos de reconhecer que estivemos muito longe do que se exige. Mas temos de lidar com isso agora e talvez tirar algumas conclusões.»
Berg não teve o melhor dia?
«Acho que se resume a três pontos: ninguém teve um bom dia, nem os jogadores, nem quem está à volta da equipa. Por isso, seria errado apontar o dedo a alguém em particular. Coletivamente, não fizemos nada bem hoje. O Patrick [Berg] tem sido destacado como um jogador fantástico e importante para a equipa, mas hoje esteve passivo, como todos os outros. E isso é sobretudo da minha responsabilidade. Não vou estar aqui, como líder, a apontar individualidades. Podemos levantar muitas questões, mas, no fundo, foi o coletivo que falhou. Estivemos muito, muito longe do nosso nível.»
De que forma devia ter atacado o jogo com a vantagem na primeira mão?
«Acho que o adversário entrou no jogo com uma energia e uma força impressionantes. Nós começámos mal desde o início e ficámos logo em desvantagem. Eles fizeram muitas coisas positivas durante todo o jogo. No nosso jogo base, nos duelos, em todos os momentos, fomos muitas vezes demasiado fracos. Talvez isso também tenha influenciado. Mas, nestes jogos, não devemos pensar no resultado, devemos focar-nos em fazer uma boa exibição. E hoje fizemos uma exibição muito fraca, porque muitas coisas correram mal ao mesmo tempo.»
O que se sente após um jogo assim?
«São muitas emoções. Antes de mais, estou muito desiludido por termos demorado tanto tempo a conseguir fazer algo de positivo. Nunca senti que tivéssemos o controlo do jogo. É muito importante ser honesto numa situação destas. Há muita coisa que preciso de analisar com calma. Estou apenas a tentar explicar a nossa má prestação, ao mesmo tempo que dou mérito ao adversário.»
Milhares de adeptos em Alvalade
«Temos tido um apoio enorme, ao longo do tempo, este ano e na nossa história. Dói falhar perante tantas pessoas que nos apoiam, mas ao mesmo tempo é incrível ver o apoio que continuam a dar, mesmo quando as coisas correm mal. Acho que isso é algo que muitos reconhecem e é uma das razões pelas quais este clube é tão especial. Dói no coração quando apresentamos uma exibição como esta.»
«Sporting foi uma das equipas mais fortes que defrontámos»
«Antes de mais, é uma equipa muito completa, taticamente e mentalmente. Hoje estiveram preparados para tudo. É uma equipa muito forte: a forma como jogam, como respondem ao jogo, as distâncias entre jogadores, o número de jogadores que colocam nas costas da nossa linha defensiva, tudo isso foi de um nível muito elevado. Foi uma das equipas mais fortes que enfrentámos. Desejo-lhes o melhor para a próxima fase.»
Mudanças no Sporting
«Tentámos ganhar o jogo sendo nós próprios, jogando como sempre, mostrando a nossa identidade. Mas estivemos muito abaixo. Sofremos desde o primeiro minuto. Sabíamos que o Sporting tinha jogadores importantes de volta, mas tentámos ajustar o sistema (4-5-2, 4-5-1), procurar soluções, mas eles impuseram-se constantemente. A intensidade, a qualidade, tudo estava a um nível muito alto. Hoje foram simplesmente demasiado fortes. É difícil explicar. Também há uma grande diferença ao nível individual neste momento.»