Um empate a duas bolas no Benito Villamarín, há uma semana, abriu perspetivas para que em Guimarães se pudesse escrever uma página histórica no duelo entre Vitória e Betis, na 2.ª mão dos oitavos de final da Liga Conferência. O Estádio D. Afonso Henriques engalanou-se com 28.994 espectadores, mas os conquistadores acabaram vergados com um banho de realidade na pesada derrota por quatro bolas a zero.

Superior, o conjunto Andaluz pôs em campo o compromisso que terá faltado no primeiro duelo e deu pouca margem ao conjunto luso. O brilharete de há uma semana não teve seguimento e, também com um pouco de ansiedade do momento solene à mistura, a equipa de Luís Freire cometeu vários erros.

Ainda as gargantas se recompunham do cântico do hino do clube, já aos cinco minutos Bakambu desfazia a igualdade na eliminatória. O franco-congolês fugiu a Borevkovic, invadiu a área e na cara de Bruno Varela e atirou a bola por entre as penas do guarda-redes da equipa da casa.

Em Sevilha o Vitória reagiu de pronto a duas desvantagens. A eliminatória estaria em aberto, pensava-se após uma má entrada dos vimaranenses no jogo. Puro engano. O Betis organizou-se, teve muita bola e quando não a teve soube ser cirúrgico na recuperação para sair em contragolpes venenosos. Um cenário que fez com que o Vitória nunca estivesse confortável.

Foi preciso chegar ao minuto 40 para que a equipa portuguesa conseguisse visar a baliza adversária. Mas, antes disso, já Bakambu tinha bisado na partida ao minuto vinte. Ruibal faz o cruzamento para o avançado ser assertivo na área a desviar de cabeça para o fundo das redes. Vinte minutos, dois golos encaixados e dificuldades extremas para conseguir sobressair. Quadro penoso para o Vitória

Ainda assim, do intervalo o conjunto português trouxe uma enorme dose de vontade de fazer diferente e de mudar o curso do jogo. Com Arcanjo e Maga em campo, foram dez minutos de crença do Vitória. Entrou de forma destemida, com bola e a criar lances de perigo junto à baliza de Vieites.

Demonstrou, aí, um pouco do perfume que havia demonstrado nos treze jogos em que não perdeu, estabelecendo um record de jogos consecutivos sem perder das equipas portuguesas nas provas europeias. Mas, não só não conseguiu reentrar no jogo, como viu o Betis ser letal e sentenciar o jogo com Anthony em destaque.

Num contra-ataque perfeito o internacional brasileiro travou o ímpeto vimaranense. Em velocidade, aproveitou o adiantamento do Vitória para galgar metros e ir à cara de Varela fazer o terceiro da noite com o pé esquerdo. Jogo sentenciado com mais de meia hora para se jogar.

Nuno Santos ainda ensaiou um pontapé acrobático, num remate que saiu por cima. Um bom gesto técnico numa noite claramente de desinspiração dos portugueses. Já na reta final do encontro ainda houve tempo para Isco marcar em mais uma arrancada de Anthony a deixar a concorrência para trás antes de servir o espanhol.

Primeira equipa portuguesa a entrar em campo nas provas europeias esta temporada, o Vitória é a última a cair, deixando Portugal sem representantes nas provas da Uefa. O Betis demonsntrou em Guimarães o porquê de ser uma das equipas apontadas à final.

Fim da história europeia do Vitória na presente temporada, ficando-se pelos oitavos de final após três eliminatória imaculadas e uma fase de liga em que foi segundo, apenas atrás do Chelsea.