Um adepto do Liverpool que esteve envolvido nos confrontos que causaram 39 mortos no Heysel Park de Bruxelas, antes da final da Taça dos Campeões Europeus de futebol de 1984/85, frente à Juventus, está em Itália numa missão diplomática. Terry Wilson vai encontrar-se com o presidente da Associação «Vítimas de Heysel», Otello Lorentini, que perdeu um filho em 1985. O objectivo é desculpar-se e promover a concórdia entre os seguidores de Liverpool e Juventus
As duas equipas vão reencontrar-se vinte anos depois da tragédia, em jogo dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, o que trouxe à memória os trágicos acontecimentos ocorridos na Bélgica. Centenas de pessoas foram esmagadas contra as grades do estádio e catorze adeptos ingleses foram condenados pela autoria dos incidentes. Entre eles estava Terry Wilson.

«Sinto muito a morte daquela gente, sinto-o de verdade. Agora, já naquela altura e sempre, vou estar arrependido. A história de Otello Lorentini entristece-me muito. Há mais 38 histórias de pessoas que sofrem pela reacção que tivemos naquele dia», admitiu o antigo «hooligan».
Mas esta não é a única iniciativa destinada a recordar um dos dias mais tristes da história do futebol. Ian Rush, carismático "número 9" do Liverpool e que foi transferido para a Juventus dois anos depois da tragédia, e o francês Michel Platini, antigo «número 10» (autor do penalty da vitória em Heysel), vão estar no centro do terreno no jogo desta terça-feira, exibindo um cartaz com os nomes das vítimas.
Vai também ter lugar um jogo entre adeptos das duas equipas e serão distribuídas a todos os adeptos pulseiras com a inscrição «amicizia-friendship» (amizade em italiano e inglês). Amicizia será também a palavra formada por adeptos do Liverpool numa das curvas do seu estádio.
No relvado estará também Del Piero, jogador da Juventus que tinha 11 anos na altura da tragédia de Heysel e que ainda recorda essa noite: «Estava em casa de amigos, com a família, para ver o jogo. Quando tudo começou, o meu pai mandou-me a mim e aos outros mais novos para a rua, jogar à bola, pois percebeu que não ia ser um espectáculo bonito para nós».