«Quando alguém se atrever a sufocar

O grito audaz da tua ardente voz…»

Se, não raras vezes, falamos de um golo, uma finta ou um lance de génio como um «hino ao futebol», façamos então também uso de um hino – o do FC Porto – para falar de futebol.

E para falar da noite europeia que vale, aos dragões, um lugar nos quartos de final da Liga Europa.

O Estugarda chegou ao Porto em desvantagem na eliminatória, mas chegou também com grande vontade de virá-la. Teve 20 minutos iniciais de superioridade, a tentar sufocar o Dragão.

Mas tanto se atreveu e não conseguiu, que o FC Porto cuspiu fogo, foi letal e soltou o grito audaz da sua ardente voz quando William Gomes, ao minuto 21, talvez na jogada mais bem construída pelos dragões na primeira parte, encostou depois de Karazor tentar o corte perante Borja Sainz.

Depois, mais tarde, bem mais tarde, um golo que foi… um hino ao futebol. Froholdt, que entrou para o lugar de Mora ao intervalo, fez a bola morar nas redes defendidas por Nübel pela segunda vez. Aquele remate extraordinário de pé esquerdo, que mais de 40 mil pessoas viram in loco, é de levar as mãos à cabeça.

E foi o que Farioli fez. A eliminatória ficava mais do que resolvida aos 72 minutos e segue-se o reencontro com o Nottingham, agora de Vítor Pereira, que já derrotou o FC Porto na fase de liga, com Sean Dyche ao leme.

Mas Farioli podia também ter levado as mãos à cabeça num punhado de lances em que o Estugarda - que apresentou Jaquez, Mittelstadt e Fuhrich como novidades face à primeira mão – esteve perto de marcar e abrir por completo a eliminatória. Verdade seja dita: fez por isso.

Porém… encontrou Diogo Costa. O homem das luvas que, no dia em que o mundo do futebol viu partir Silvino, protagonizou bem uma homenagem àquilo que é ser um bom guarda-redes. Um dos melhores, sem exagero.

Exemplo disso, em fases em que o Estugarda foi melhor e, provocando-o ou não, remeteu o FC Porto muito ao seu terço defensivo, foram as ocasiões de Fuhrich (8m, 32m) e El Khannouss (31m, 54m), com grandes intervenções do guardião (é mesmo a melhor palavra) do FC Porto. Um guardião de mãos cheias.

Sobretudo na primeira parte, o Estugarda teve mais remates, posse, passes, cantos e recuperações. Momentos em que se calhar, talvez só a fazer lembrar períodos da receção ao Sp. Braga esta época. Obrigou o FC Porto a correr atrás da bola e a defender bem. Mas foi para o intervalo a perder, graças a um lance bem construído por Zaidu, Rosario, Moffi e Borja, com conclusão de William.

Na segunda parte, já com Froholdt e, mais tarde, Pepê na vez de Williiam, Kiwior à esquerda no lugar de Zaidu, o FC Porto continuou competente atrás, acertou melhor os potenciais perigos do Estugarda, mas não se livrou de um ou outro susto. E também, diga-se, por culpa própria não pôde resolver mais cedo: a bola que Moffi não soltou para isolar Fofana ao minuto 55 é disso exemplo.

Mas, por fim, lá apareceu o tal hino ao futebol de Froholdt a soltar o grito audaz das quase 40 mil vozes azuis e brancas e arrumar de vez a questão dos «quartos», num jogo que acabou ainda por ser para esquecer de Nartey: entrou e, em 15 minutos, viu dois amarelos e foi expulso.

Depois de Sporting e Sp. Braga, não houve duas sem três. E o FC Porto fecha a semana perfeita para Portugal, com vitória e apuramento.