A Floresta Negra de Friburgo foi mesmo assim para o Sporting de Braga.
Negra.
Uma expulsão e dois golos sofridos na primeira parte – mais um na segunda – apagaram a luz portuguesa na Europa esta época. E o sonho de Istambul e de nova final europeia para os minhotos, 15 anos depois de Dublin.
Se a equipa de Carlos Vicens chegou à Alemanha com a vantagem de 2-1, a verdade é que, tal como no Minho, voltou a ter um jogo acidentado. As incidências-chave foram decisivas e ditaram o adeus.
Mesmo com uma parte final de jogo de grande coragem e valentia, embalada com o golo de Pau Víctor ao minuto 79. Estoicismo, no fundo. Que fez acreditar – e estar mesmo perto – de um 3-2 que levaria o jogo para prolongamento. Um cenário que parecia utópico a um quarto de hora dos 90.
O Sp. Braga voltou a lutar, com verdadeiros «guerreiros» em campo. Mas não foi capaz de fazer, por exemplo, o que fez em Sevilha numa noite épica, quando também estava a perder por 2-0. Porém, também é justo dizer-se, as circunstâncias foram bem mais difíceis, com menos um homem durante quase todo o jogo. E mesmo assim, fizeram parecer possível…
Já não tinha bastado aquele penálti de Atubolu defendido a Zalazar, o desentendimento que deu o golo alemão na Pedreira e a lesão de Ricardo Horta… e desta vez a noite em solo alemão não começou (nem acabou) bem.
Quando o árbitro Davide Massa apitou falta de Mario Dorgeles sobre Jan-Niklas Beste e mostrou o vermelho ao costa-marfinense aos sete minutos, a eliminatória ganhou outro contexto.
Com menos um, o Sp. Braga viu-se privado de um dos aspetos que mais gosta no jogo. De jogá-lo com bola nos pés. Como aquela criança que tem um brinquedo favorito e não se vê sem ele. Acabou cercado por um Friburgo que tinha de marcar para chegar à final. E com dificuldades em ter bola e atacar. A resistência durou 12 minutos, em mais um lance que mostra que, se a sorte entra em jogo, ela esteve longe do Sp. Braga. Lukas Kübler, que não jogou em Braga e foi novidade no lado direito da defesa, viu a tentativa de corte de Gorby resultar… num ressalto que levou a bola a bater no poste e a entrar.
Aos 19 minutos, a eliminatória ficava empatada e, a dada altura, dava até sensações do duelo que o FC Porto teve com o Nottingham Forest. Um adversário perfeitamente ao alcance, mas com as incidências a tramarem os portugueses.
Vicens foi retocando peças em campo (Pau Víctor chegou a fechar à esquerda na linha de cinco) e o Sp. Braga, aos poucos, foi estancando o ataque do Friburgo. Mas, ao minuto 41, a meia-distância de Manzambi fez estragos e nem Hornicek, que fez um jogão na baliza, deteve aquele bom remate que deu o 2-0.
Numa primeira parte sofrível, o Sp. Braga soube ter espírito de sacrifício e prova de que era necessário ter paciência para ser feliz – porque o Friburgo mostrou ter debilidades defensivas – foi o remate de Víctor Gómez ao poste em cima do intervalo. A deixar aquela luz de esperança para a segunda parte, no meio da Floresta Negra.
Os primeiros dez minutos após o descanso foram difíceis para o Sp. Braga, com uma mão cheia de aproximações do Friburgo e Hornicek em grande. Manteve a equipa ligada ao resultado com uma grande defesa a Manzambi (52m) e, mais tarde, a ser gigante a dobrar no lance em que evitou o 3-0 a Matanovic e Ginter. Só não conseguiu mesmo deter o cabeceamento de Kübler, que bisou pela segunda vez na carreira, após livre de Grifo, ao minuto 72.
A eliminatória parecia resolvida, o Sp. Braga tinha de marcar dois golos e foi, com tantas adversidades, suficientemente grande para lutar pela final. Não olhou a contrariedades, lutou e o golo de Pau Víctor a cruzamento de Víctor Gómez fez o Friburgo tremer. Tanto que só deu Sp. Braga na parte final e Atubolu foi herói ao negar o 3-2 a Gorby e Gabri Martínez.
Ainda houve uma luz ao fundo da floresta. De verdadeiros «Guerreiros». Mas o Sp. Braga fica à porta da final.