Futebol a horas pouco católicas na cidade dos arcebispos. Os motores demoraram a aquecer numa primeira parte encaixada, mas ainda foram a tempo de uma segunda metade de altas temperaturas. Depois de bater o FC Porto, o Bodo / Glimt vence na pedreira (1-2) com um golo de bola parada no último lance do encontro.
Perante cerca de 8 mil espectadores, os guerreiros estiveram em desvantagem e viram o campeão norueguês desperdiçar o segundo. Niakaté fez o empate, clamou pela reação bracarense, mas três minutos depois foi expulso. Dois amarelos em dois minutos deitaram por terra uma reação cabal, porque o conjunto português até teve oportunidades para a cambalhota. Sucumbiu num pontapé de canto nos descontos.
Com Moutinho recuperado dois meses depois, após de já ter sido utilizado na Taça, Carlos Carvalhal apostou na dupla de médios que, à partida, dará mais garantias a este Sp. Braga. O internacional português fez parelha com Zalazar no motor do conjunto bracarense.
Encaixe técnico com uma bola na barra a testar
Um Bodo / Glimt bom de bola e organizado deslocou-se pela primeira vez a Portugal tendo como cartão de visita o triunfo recente – sensivelmente um mês – sobre o FC Porto. Obviamente que esse dado teve o seu peso. O Sp. Braga redobrou cautelas, estando claramente alerta para as transições adversárias.
Essa predisposição levou a que a equipa lusa fosse menos vertiginosa do que o normal. Um rasgou ou outro de Bruma ia provocando sobressalto, mas nada de contundente. Roger, do outro lado, ia tentando com remates cruzados de fora da área, resolvidos com maior ou menor dificuldade por Haikin.
O embate transformou-se num jogo de empate técnico – as próprias estatísticas iam dizendo isso – com o Bodo / Glimt também a conseguir sair com combinações simples e um coletivo forte. Um remate ao ferro de Zinckernagel, na sequência de um livre direto, à entrada da área, foi o expoente máximo da primeira metade.
Segunda metade vertiginosa até ao último lance
Mudou completamente de figura o jogo na segunda metade, com incidências em catadupa. A vertiginosidade que faltou fez-se sentir desde logo com o Bodo / Glimt a abrir o ativo por Evjem. Um passe de risco de Zalazar deixou o Braga exposto, Bjorkan serviu o médio para o remate de pé esquerdo após transpor Moutinho. Ficaram perto do segundo os noruegueses, num lance em que Matheus resgatou os guerreiros. Zinckernagel aparece completamente isolado, mas o guarda-redes desarma-o.
Carvalhal alterou três peças, introduziu no jogo Yuri Ribeiro, André Horta e Vítor Carvalho, reagiu o conjunto português, chegando ao empate. Remate cruzado de Bruma, a bola é defendida para o pé de Niakaté, que encosta para golo. Um momento que parecia vir a ser o clique que faltava, mas que rapidamente teve um travão.
Niakaté, que estava a ser um dos melhores e tinha na folha de serviço o golo, é expulso ao ver dois amarelos consecutivos no espaço de dois minutos. Ainda em zona adiantada, é certo, trava dois contragolpes que podiam ser promissores, deixando os bracarenses com menos um elemento em campo a partir do minuto 67.
Reta final estonteante. O Sp. Braga, diga-se, não deixou de lutar pelos três pontos mesmo debilitado. Teve duas chances soberanas para o fazer. Acabou por ser o Bodo a aplicar uma realidade na qual o Sp. Braga é especialista: golo de bola parada no último lance, com Nielsen a marcar. Segunda derrota consecutiva do Sp. Braga após o desaire no terreno do Olympiacos.