A passagem à fase de liga da Liga Europa era um dado adquirido, faltava apenas apurar a contabilidade. Foi o que o Sp. Braga fez na receção ao Lincoln Red Imps, em jogo da 2.ª mão do play off da Liga Europa: fechou a contagem da eliminatória ao bater a equipa de Gibraltar por cinco bolas a uma, estabelecendo um agregado de 9-1 no conjunto das duas mãos.
Gabri Martinez, com um bis em apenas cinco minutos no final da primeira parte, foi o nome maior de um encontro entre forças demasiado desiguais na pedreira. Pelo segundo ano consecutivo o Sp. Braga está de forma natural na fase de liga da Liga Europa, atingindo o primeiro objetivo da época sem averbar qualquer derrota ao fim de uma dezena de jogos.
Após o triunfo sobre o conjunto de Gibraltar na 1.ª mão (0-4), fora de portas no Algarve, Carlos Vicens foi apelando à seriedade, alertando que o destino ainda não estaria traçado. Da teoria à prática, o técnico operou uma autêntica revolução no onze, não mantendo qualquer peça no onze comparativamente com o empate caseiro frente ao AVS, em jogo da Liga. Do lado do adversário, numa época já histórica, o facto de chegar a esta fase da prova era já visto como um «triunfo».
Entre forças demasiado desiguais, naquele que foi o décimo jogo do Sp. Braga em sensivelmente um mês, os guerreiros cumpriram as formalidades burocráticas e puseram o tal carimbo na eliminatória com um triunfo simples por quatro bolas a zero em que dominaram por completo o jogo, não dando qualquer tipo de expetativa ao conjunto de Gibraltar.
E nem foi preciso acelerar muito por parte do Sp. Braga para ter o controlo do jogo sem que o Lincoln Red Imps registasse lances de perigo. A exceção foi um remate de Villacanas já na segunda metade, a pôr à prova o estreante Bellaarouch na baliza do conjunto luso. A este remata juntou-se o tento de honra, já na fase final do encontro; já lá vamos.
De resto, o triunfo começou a ser construído logo aos doze minutos num lance de bola parada em que ficaram patentes as fragilidades do Lincoln Red Imps. Canto de Dorgeles na esquerda, na área Vítor Carvalho – que ostentou a braçadeira de capitão – passeou pela zona do primeiro poste até desviar de cabeça para o fundo das redes.
Em velocidade Gabri Martinez bisou em apenas cinco minutos no final da primeira parte, atirando o marcador eletrónico para números mais condizentes com o desequilíbrio que se sentia à flor do relvado. Primeiro com o pé esquerdo, depois com o pé direito, o espanhol ampliou a vantagem.
Já na segunda metade, Sandro Vidigal e Pau Vítor elevaram o marcador para a chapa cinco, fechando não só a eliminatória como aquela que era a primeira grande missão do Sp. Braga de Carlos Vicens. Para a história fica o golo de Gomez, a dois minutos dos noventa. Sem adeptos para festejar, foram os arsenalistas a soltar aplausos para o tento de honra do Lincoln Red Imps.
Fechadas as contas das eliminatórias europeias, o Sp. Braga desloca-se no domingo a Vila do Conde para medir forças com o Rio Ave em jogo do principal escalão do futebol português, procurando corrigir a trajetória após o empate caseiro frente a Aves.
A FIGURA: Gabri Martinez
Jogou uma velocidade acima dos restantes elementos em campo e isso fez a diferença. O espanhol foi o principal elemento desequilibrador do jogo, rompendo em velocidade pelo lado esquerdo. Testou várias vezes a atenção do guarda-redes Nauzet García antes de bisar em apenas cinco minutos no final da primeira parte. Dois golos na passada, o primeiro com um remate violento de pé esquerdo, o segundo com toda a tranquilidade após driblar o guarda-redes.
O MOMENTO: primeiro golo do Sp. Braga, Vítor Carvalho (12’)
A passagem estava assegurada, faltava o carimbo. Mas, se ainda restassem dúvidas, o primeiro do Braga serviu de confirmação. Pontapé de canto cobrado por Dorgeles na esquerda, vindo de trás Vítor Carvalho aparece ao primeiro poste para desviar de cabeça perante a incapacidade adversária. Golo simples, demasiado facilitado, a ditar a diferença entre os dois conjuntos.
NEGATIVO: lesão de Dorgeles
A passagem estava assegurada, o Sp. Braga já tinha ampliado a vantagem e o mais importante seria mesmo que ninguém se lesionasse. O azar bateu à porta de Dorgeles, ao minuto 27. O médio costa-marfinense cometeu falta, vendo adversário acabar por cair sobre o seu corpo. A sensação de dor foi imediata, Dorgeles ainda regressou ao relvado, mas percebeu-se que dificilmente daria para continuar e teve de ser substituído ainda antes da meia hora.