Em jeito se serenata à chuva, debaixo de uma intempérie o Sp. Braga pôs um pé nos oitavos de final da Liga Europa ao bater o Nottingham Forest pela margem mínima (1-0). Um autogolo de Yates, num momento vertiginoso, fez a pedreira feliz no penúltimo jogo da fase de liga da competição.

Hornicek, a figura do jogo, susteve uma grande penalidade num momento de apuros para a equipa lusa, sendo que na jogada seguinte os bracarenses chegaram ao golo que acabou por valer o triunfo frente aos reds de Nottingham. Emoção de uma ponta à outra do relvado, num momento parecido ao que a equipa de Carlos Vicens viveu em Tondela na última ronda da Liga.

Depois de uma primeira parte amorfa e sem grandes motivos de interesse, o jogo – que teve milhares de ingleses nas bancadas – valeu essencialmente pelo segundo tempo. Uma grande penalidade desperdiçada, um autogolo e duas bolas nos ferros – uma em cada baliza – resumem a folha de serviço. 

Sem uma das suas principais referências, Rodrigo Zalazar cumpriu castigo, o técnico Carlos Vicens apostou num onze com seis caras novas comparativamente com o jogo em Tondela. Hornicek, Lakerbielke, Niakaté, Grillitsch e Ricardo Horta foram os sobreviventes nesta revolução no onze. No conjunto britânico, que começou a época orientado pelo português Nuno Espírito Santo, o ex-Benfica Morato foi titular no eixo da defesa.

Um lance para cada lado contra o bocejo

Os dados prometiam, à partida, um jogo aberto e com elementos para um bom espetáculo. Mas, a verdade é que essa foi uma realidade distante. Sp. Braga e Nottingham Forest respeitaram-se mutuamente, talvez em demasia, resultando num embate encaixado e sem grandes motivos de interesse.

Gibbs-White ainda prometeu, logo aos dez minutos, com a execução técnica quase perfeita ao bater um livre direto. Hornicek tirou-lhe o quase e, com um voo vistoso, fez uma defesa perfeita, evitando que a equipa inglesa se adiantasse no marcador ainda numa fase precoce do encontro.

A resposta do Sp. Braga só se fez sentir praticamente em cima do intervalo, num cabeceamento de Gabri Martinez, a fazer a bola passar muito próxima do poste após cruzamento de Victor Gomez. Dois lances dignos de registo numa primeira parte sem sabor, a evitar que o bocejo fosse ainda maior. 

Emoção? Sim, há na pedreira

Foi muito mais acidentada a etapa complementar, aí sim, com vários momentos de calafrios junto das balizas. O resumo já apresentado atesta isso. Hornicek voltou a mostrar-se, desta feita ainda com mais brilho, ao suster uma grande penalidade a Gibbs-White. Bela estirada do guarda-redes.

Com o coração nas mãos, os arsenalistas responderam com golo imediatamente na jogada seguinte. Combinação perfeita do Sp. Braga a deixar Ricardo Horta em boa posição na área, o capitão tentou o cruzamento que acabou por ser desviado por Yates para o fundo da sua própria baliza. Decidiu o jogo.

O Nottingham ainda tentou, atirando uma bola ao ferro e assinando mais um par de lances de potencial golo. O Sp. Braga também os teve, dando sempre resposta. Pau Vítor também fez abanar o ferro, mas o marcador não mexeu e o Sp. Braga junta mais uma noite europeia vitoriosa ao seu espólio. Está quase nos oitavos de final.

A decisão passa, agora pelos Países Baixos, onde os bracarenses medem forças com os Go Ahead Eagles, sendo certo que a máquina de calcular apenas será necessária em caso extremo.