O clima era de festa antecipada, por tudo o que tinha antecedido o jogo. A entrega dos troféus de campeão e o esperado acerto de contas com Hermínio Loureiro. As notícias fresquinhas do hara-kiri encarnado, diante da Académica. E, claro, a memória da grande exibição de Manchester, mais a perspectiva de nova noite de campeões, na quarta-feira.

É verdade que a equipa não estava a jogar bem, sendo até dominada pelo Estrela da Amadora nos primeiros minutos. Mas, como é típico das equipas em maré alta, quem assistia ao jogo não tinha dúvidas de que seria uma questão de tempo até surgir o clique que colocaria as coisas no lugar.

E como também é típico das equipas em maré alta, esse clique surgiu dos pés do jogador que mais necessitava de ser feliz. Perante os adeptos do F.C. Porto, Bruno Alves tem crédito mais do que suficiente para que os erros lhe sejam perdoados. Mas o falhanço de Old Trafford foi tão invulgar, tão contrário à sua imagem de concentração absoluta, que pedia uma reparação em letra de forma. O livre directo que lhe permitiu marcar o quarto golo na Liga, imitação perfeita daquele apontado em Alvalade, numa fase delicada da época para os dragões, oficializou o regresso à normalidade. Para ele, e para um líder que, olhando em volta, tem cada vez mais razões para crer que daqui até Maio a maré já não volta a baixar.