Show na pedreira. Uma dose de «Fama Show» juntamente com numa dose de um jogo guerreiro fazem com que o embate entre o Sp. Braga e o Famalicão seja um dos mais emocionantes até agora na presente edição da Liga. Um ponto para cada lado (2-2) é o resquício final de uma história com vários capítulos.

O jogo começou com muito respeito mútuo, mas o Sp. Braga cresceu após o Famalicão ficar reduzido a dez elementos. Mesmo com menos um homem em campo o Famalicão confirmou as credenciais de equipa sensação e colocou-se em vantagem no marcador. Galeno deu a volta ao texto num minuto, mas (outra vez mas porque neste jogo pareceu sempre haver um mas a acrescentar) Anderson estabeleceu o empate final em cima do minuto noventa.

Ufa. Que marchado marcador, que jogo caro leitor. Ao fim de contas o Famalicão sai incólume de um dos redutos mais difíceis do país e até cimenta o terceiro lugar, ganhando um ponto ao Sporting. Após perder no Bessa o Sp. Braga não consegue estabilizar na Liga e perde mais dois pontos em casa antes da receção ao Besiktas.

Respeito mútuo

Dizem os antigos que o respeitinho é muito bonito e esse sentimento fez-se sentir em grande escala na pedreira. O Sp. Braga respeitou o ‘status’ de equipa sensação do Famalicão, ‘status’ esse coadjuvado pela tabela classificativa, e o Famalicão respeitou o estatuto e o peso do Sp. Braga no futebol nacional.

Uma espécie de consideração mútua protocolar que levou a que o jogo se iniciasse de forma encaixada e com equivalência em vários índices, tal como a posse de bola ou o número de duelos ganhos.

Estatísticas à parte, o que é certo é que o Sp. Braga foi mais ousado na manobra ofensiva e dominou territorialmente. A equipa de Sá Pinto jogou mais no meio campo adversário, rondou com mais afinco a área de Defendi e fez por visar mais vezes a baliza adversária, em contraponto com um Famalicão organizado mas com capacidade reduzida para se estender até ao ataque com a qualidade que evidenciava defensivamente.

Slalom de Galeno ganha metros

A dez minutos do intervalo o Sp. Braga ganhou metros no seu domínio. Num slalom estonteante de Galeno o extremo galga no terreno, evita vários adversários e é derrubado por Roderick à entrada da área. Jorge Sousa foi perentório a soprar no apito e a puxar do cartão vermelho.

Com mais um elemento em campo, mesmo João Pedro Susa tendo equilibrado a sua equipa com a entrada de Riccieli, o Sp. Braga exponenciou o seu domínio. Fê-lo essencialmente ganhando metros no que à área do terreno em que exerceu esse domínio, uma vez que praticamente montou o cerco à baliza famalicense.

Aí sim, os lances começaram a ser de maior perigo, algo que até então não acontecia. A jogar mais à frente e com mais um homem o Sp. Braga focou-se quase que exclusivamente na baliza adversária e esqueceu-se de como o Famalicão se articula em contragolpe.

Indefinição até final

Uma recuperação cirúrgica de bola permitiu a Pedro Gonçalves lançar-se para a frente, correu vários metros arrastando os adversários numa corrida desenfreada para depois descobrir o espanhol Toni Martínez em carreira de tiro. Remate seco de primeira, ainda de fora da área, para o fundo das redes.

Tarefa inglória do Sp. Braga, lançar-se para o ataque ainda com mais força, vindo muitas vezes à memória o filme visto no Bessa. Muito domínio para pouco aproveitamento. Galeno quis ser herói e mudou o ritmo dos acontecimentos. Dois golos num minuto inverteram por completo a história do jogo para gáudio dos nove mil adeptos presentes na pedreira.

Mas. Foi avisado, caro leitor, que havia sempre mais um “mas”. Mas Anderson, lançado por João Pedro Sousa do banco apenas deixou que a história do jogo fosse finalizada ao minuto noventa com um golo no cair do pano a ressacar uma defesa incompleta de Matheus.

Ufa. Fim. Jogo de emoções fortes na pedreira, entre duas equipas com personalidade e identidade própria. O Famalicão segue no terceiro lugar, enquanto que o Sp. Braga não consegue largar o meio da tabela. Um ponto para cada lado é manifestamente pouco para o produzido, mas é futebol.