De regresso à equipa, após cumprir castigo na última jornada, o avançado brasileiro não demorou muito fazer sorrir outra vez os adeptos canarinhos após a sua curta ausência.

Depois de um arranque bastante equilibrado, o pé de Bonatini tratou de colocar água na fervura que foi a primeira parte na Amoreira. Muita luta a meio campo e pulmão nas alas. A noite caiu fresca mas dentro do relvado o jogo foi quentinho nos primeiros 45 minutos.

FILME E FICHA DE JOGO

O ponto de ebulição foi atingido logo aos 15 minutos, com os adeptos a pedirem penalti sobre Bruno César na grande área academista. Ofori, a grande surpresa na equipa inicial dos estudantes, no lugar de Emídio Rafael, envolveu-se com o médio brasileiro quando este seguia isolado para a baliza de Pedro Trigueira.

O árbitro Jorge Sousa nada assinalou mas a repetição deixou algumas dúvidas. Parece de facto ter existido um encosto na perna do «chuta chuta» e, a acontecer, seria grande penalidade e posterior expulsão do defesa ganês.

O lance, contudo, permitiu aos presentes no estádio identificar a principal fraqueza dos estudantes na partida. Entre os olhares observadores estava, claro, o de Fabiano Soares. O técnico estorilista reparou nos sucessivos erros do lateral ganês e deu ordens para que os ataques dos canarinhos fossem conduzidos pelo lado direito.

Foi o início do sofrimento para a Académica, que culminou com o golo de Bonatini, aos 34 minutos. Com tantas investidas pelo lado direito, os estudantes esqueceram o perigoso Gerso no lado esquerdo. O extremo aproveitou, correu por ali fora e serviu o avançado brasileiro para o primeiro golo do encontro.

A Académica, porém, reagiu bem ao golo do Estoril. Fernando Alexandre e Hugo Seco, praticamente de seguida, estiveram perto de restabelecer a igualdade. Valeu aos canarinhos um inspirado Kieszek, que teve duas intervenções de grande qualidade.

Antes do tempo de descanso, o Estoril ficou por instantes reduzido a dez. Babanco, que já havia necessitado de assistência, cai no relvado e tem mesmo de abandonar o relvado de maca.

Ao intervalo o resultado de 1-0 adequava-se aquilo que tinha sido a partida até então, mas os estudantes saíram por cima.

 

A «malapata» atrasou-se mas ainda veio a tempo

No segundo tempo o cenário alterou-se por completo. Filipe Gouveia afinou a estratégia ao intervalo e os estudantes entraram com a lição bem estudada.

Para a segunda parte, o técnico chamou a jogo Rabiola e também Gonçalo Paciência, e foi precisamente isso mudou em relação à primeira metade, paciência.

A Académica deixou de ser Briosa e passou a ser mais ponderada nas saídas para o ataque. O ritmo da partida abrandou, como já era de prever, e os de Coimbra aproveitaram uma Linha adormecida (a dos centrais) para fazerem o golo do empate.

DESTAQUES DO ESTORIL-ACADÉMICA 

O recém-entrado Marinho apareceu sem marcação no meio-campo e colocou a bola em Gonçalo Paciência. O avançado tem uma boa arrancada pela esquerda, livra-se de Anderson Luís, e serve de bandeja Rabiola que, em cima da linha de golo, teve apenas de encostar para o fundo das redes.

Depois do golo, o encontro abriu-se mais um pouco. Fabiano Soares aposta tudo no ataque, fazendo entrar Luiz Phelyppe para o lugar de Chaparro, e recuando Bonatini para uma posição mais central no terreno.

A substituição surtiu efeito e o Estoril partiu para a frente em busca do golo. Ainda assim, excetuando um ou outro lance de maior perigo de Bruno César, os canarinhos nunca conseguiram intimidar verdadeiramente a defensiva academista.

O apito final chegou numa altura em que o jogo já pouco ou nada tinha para dar e acabou por selar um resultado justo para aquilo que se verificou em campo.

A Académica apontava a uma vitória na Amoreira «com maior ou menor dificuldade», e por pouco que não a conseguia de facto. Quer parecer que Filipe Gouveia, para além de treinador, tem também dotes de adivinho, tal a precisão das suas apostas.

Resultado final, um empate. Continua a «malapata» do Estoril frente à Académica. Há três encontros que os canarinhos não conseguem passar no exame frente aos estudantes, e prolongam o jejum de vitórias no campeonato para quatro jogos.