Depois de ter andado dois jogos à deriva, a nau de Ricardo Sá Pinto reencontrou o caminho da terra firme.

 

Contra o Tondela, os azuis do Restelo até podem não ter deslumbrado mas fizeram o suficiente para regressar aos triunfos ainda que não se tenham livrado de alguns sustos.

Com a equipa ainda a recuperar fôlego do jogo de quinta-feira com o Basileia, Sá Pinto trocou metade da equipa. Saíram Gonçalo Brandão (lesionado), João Amorim, Rúben Pinto, Sturgeon e Luís Leal, este último castigado depois de ter sido expulso contra o Sp. Braga na última jornada; entrara Tonel, Geraldes, Ricardo Dias, Dálcio e Tiago Caeiro.

Mais Belenenses contra um Tondela confuso

 

Do lado do Tondela, Rui Bento começou por apostar num 4x4x2 pouco oleado, com Romário Baldé e Nathan a pisarem-se muitas vezes. Foi por pouco tempo.

 

Vinte minutos, para sermos mais precisos. O tempo necessário para o Belenenses se adiantar no marcador. Tiago Silva, um dos melhores da noite, recebeu de Kuca da esquerda e rematou de pé direito para o primeiro do jogo.

FILME E FICHA DE JOGO

 

Depois do golo dos azuis, Rui Bento resolveu mexer nas peças. Transformou o 4x4x2 num 4x3x3. É verdade que os viseenses melhoraram, sim, mas pouco. Um remate de perigoso de Lucas Souza de cabeça já depois da meia hora foi quase tudo o que o Tondela apresentou de bom nos primeiros 45 minutos.

 

Uma primeira parte que terminou com uma vantagem magra porque a equipa de arbitragem dirigida por Nuno Almeida não viu que um remate de Tiago Caeiro ultrapassou por completo a linha de golo. Aos 44’, Dálcio cabeceou à barra e, na recarga, Caeiro rematou com violência contra a barra, com a bola a entrar de seguida na baliza do Tondela antes de regressar para o terreno de jogo.

Bom futebol na segunda parte

 

Numa noite em que o speaker anunciou aos altifalantes duas chaves perdidas, os visitantes encontraram as suas no regresso dos balneários.

 

O Tondela, a precisar desesperadamente de pontos para escapar à zona de aflição, subiu as linhas. Fez soar os alarmes no sector mais recuado da equipa de Sá Pinto, mas também ficou exposto aos contra-ataques.

Parada e resposta, isso mesmo. Como o comum dos adeptos gosta; e como abominam muitos treinadores. No espaço de poucos minutos, o conjunto da Beira Alta esteve perto do golo por duas vezes, mas o Belenenses também ia colecionando oportunidades.

 

Aos 55’ Kuca, tantas vezes ele, arrancou pela esquerda e serviu Dálcio. Com lacinho e tudo, mas o extremo falhou o alvo de forma quase escandalosa.

DESTAQUES DO BELENENSES-TONDELA, 2-1

 

O jogo seguia vertiginoso quando aos 72 minutos Sturgeon descobriu Tiago Caeiro nas contas da defesa. Kaká ainda tentou cortar, mas acabou por endossar ainda mais a bola para o ponta-de-lança da equipa de Sá Pinto que, com Cláudio Ramos pelo caminho, fez a bola sobrevoar o guarda-redes do Tondela para o 2-0.

 

O segundo do Belenenses surgiu instantes depois de Tonel evitar sobre a linha de golo o empate a Salva Chamorro. Podia haver momento mais oportuno?

Certo é que, depois do desgaste de quinta-feira, o Belenenses podia finalmente respirar.

 

E respirou. Tão pausadamente que permitiu que os homens de Rui Bento reentrassem no jogo já nos últimos minutos. Com a dupla substituição de Rui Bento (Salva Chamorro e Piojo) a surtir efeitos, Edu apareceu na direita e cruzou para Piojo, que reduziu para 2-1.

 

Um percalço sem consequências de maior na noite em que o Belém reencontrou o caminho da felicidade e agudizou ainda mais a crise do Tondela, cada vez mais último e sem ganhar desde agosto. Quem disse que a I Liga era fácil?