Ajoelhado, com a juba no cepo e exposto a uma exibição sofrível, o Sporting sobreviveu em Vila do Conde e voltou a Alvalade com um ponto. A notícia não podia ser melhor para uma equipa que teve uma noite de profunda desinspiração, mas que resistiu a uma expulsão (mais uma de Coates frente ao Rio Ave) e juntou os cacos todos num penálti convertido por Jovane perto do fim.  
 

O Rio Ave só se pode queixar de si próprio. Fez um bom jogo, foi superior desde o minuto inicial – marcou logo aos dois minutos por Lucas Piazón – e teve uma mão cheia de vezes o adversário completamente exposto e pronto para ser fuzilado.

 

As facilidades foram tão grandes e tão sucessivas que, em determinadas alturas, sentimos os jogadores do Rio Ave a facilitar e a exagerar na hora do tiro. Ou era mais um passe, ou mais um drible, mais um nó na gravata e mais um bocado de gel no cabelo.


FICHA DE JOGO E AO MINUTO NOS ARCOS

   

Taremi foi, neste particular, um artista menor. Tentou fazer tudo sozinho, não procurou os colegas e manteve o score em 1-0, sempre com a perspetiva de um segundo golo que nunca viria a surgir.

   

As palavras são bem medidas e equilibradas. Não está em causa a atitude, o querer ou o profissionalismo. Está em causa a qualidade. O Sporting que esteve nos Arcos foi uma anedótica caricatura de outros Sportings durante largos minutos.

  

Um amontoado de fragilidades, limitações, erros técnicos e problemas comportamentais. O ponto conquistado é, de facto, fruto sobretudo da clemência incompreensível do Rio Ave e, mais tarde, do erro infantil de Borevkovic ao derrubar Bolasie. Penálti claro.

  

Nessa altura, a cinco minutos do fim, dizia-se nos Arcos que tudo corria mal ao Sporting. Além da exibição paupérrima, realmente inaceitável numa instituição desta dimensão, a equipa de Silas já estava reduzida a dez unidades.

  

Se o filme do jogo seguisse uma lógica sólida, o Rio Ave provavelmente teria chegado ao segundo ou até ao terceiro golo, apanhando o adversário na classificação e fechando a noite com a consciência tranquila.

  

Esta roupagem leonina, privada de Bruno Fernandes, é de uma previsibilidade assustadora e um puzzle cheio de peças… defeituosas. As exibições de Ristovski, Borja e Doumbia, por exemplo, entram diretamente para o lote das piores de que nos lembramos de algum futebolista com o belo emblema do leão.

  

Não é o empate sofrido, e obtido em inferioridade numérica, que atenua esta imagem. Oferece um golo à equipa, deixa-a no quarto lugar sem companhia, mas a performance só pode preocupar toda a direção, equipa técnica e massa associativa.

  

Insistimos: não é aceitável jogar tão pouco com esta camisola vestida.