«Sendo hoje o último treino da época, será até com alguma emoção que, depois, me despeço deles e até breve

Este «até breve» proferido por José Mourinho na véspera do último jogo do campeonato ainda ressoará na cabeça de muitos benfiquistas. Um «até breve» compreende em si mesmo uma indefinição que talvez um «até julho» ou «até à próxima época» resolvesse. Mas quem acompanha minimamente as notícias, sabe o que podem implicar estas duas palavras.

Num momento em que tanto em Espanha, como em Portugal, garantem que Mourinho será o próximo treinador do Real Madrid, mesmo que este sublinhe que não recebeu nenhuma abordagem/proposta e só definirá o seu futuro no domingo, uma vitória tranquila – talvez a mais tranquila da época – sobre o Estoril não bastou para que o Benfica oiça o hino da Champions na próxima época. Já Mourinho, não sabemos.

Uma entrada de jogo demolidora do Benfica, aliada à passividade de um Estoril que já implora por 2026/27, permitiu resolver o jogo cedo... e esperar um por um trambolhão do Sporting diante do Gil Vicente, que não veio a acontecer. O Benfica encerrou o campeonato em terceiro lugar, um posto que já não conhecia desde 2021/22. É a dura realidade de uma temporada que encerra com apenas um troféu ganho – a Supertaça, por Bruno Lage.

A última continência de Pizzi... contra o Benfica

Acabou neste sábado uma bonita história iniciada em Bragança, em meados dos anos 2000. Pizzi, transmontano que subiu a pulso na carreira e ganhou onze títulos em Portugal, uma Liga das Nações ao serviço do Portugal e uma Liga Europa pelo Atlético Madrid pendurou as botas.

Mais do que títulos e galardões, o melhor jogador da Liga em 2016/17 vai ficar na memória dos adeptos benfiquistas pela técnica refinada, versatilidade, liderança, capacidade de golo e, claro está, a ‘continência’ na celebração. Uma das figuras da história recente do clube terminou a carreira com o carinho dos adeptos encarnados, o que não deixa de ser poético. Ao minuto 21 foi ovacionado; aos 58m, teve uma guarda de honra formada pelas duas equipas.

Talvez de forma surpreendente, o agora jogador do Estoril iniciou a partida como titular, envergando a braçadeira de capitão. Também Lacximicant e Gonçalo Costa, obreiros do 1-1 em Alverca, foram lançados para o onze. Do lado benfiquista, Mourinho alterou quatro peças – Bah, Otamendi, Ríos e Pavlidis regressaram ao onze inicial.

Benfica entrou em jogo como se tivesse ouvido o hino da Champions

Aquele que pode ter sido o último jogo de Mourinho no Benfica começou com um domínio avassalador do Benfica. Em 15 minutos, marcou três golos. Um 3-0 algo consentido pelo Estoril, já sem objetivos e na pior fase da época (sete jogos sem vencer), mas que mostrava a crença das águias em atingir a Liga dos Campeões.

Richard Ríos abriu caminho ao minuto sete, marcando pelo terceiro jogo consecutivo, Alexander Bah adicionou mais um ao placard e Rafa Silva apontou o centésimo golo pelo clube. O de Rafa foi o tento mais bonito, cortando da direita para dentro e rematando de pé esquerdo. O Benfica chegava ao intervalo de consciência tranquila, esperando ser bafejado por um vento de sorte vindo de Alvalade.

A verdade é que a segunda parte trouxe um Estoril mais perigoso e um Benfica mais conformado. Ian Cathro alterou duas peças ao intervalo – Costa por Amaral, Ferro por Boma -, e os canarinhos conseguiram instalar-se durante mais tempo no meio-campo contrário.  

Trubin começou a ter trabalho e até passou por um susto aos 60 minutos, com uma defesa incompleta limpa por Dahl em cima da linha de golo. Aos 72m, Peixinho ficou ainda mais perto do golo, mas falhou a baliza de forma inacreditável na pequena área. Um minuto depois, o jovem falhava outra vez.

Jogo adormeceu, Estoril marcou e no fim houve contestação

Mourinho mexia, as duas equipas ameaçavam amiúde, mas o resultado teimava em manter-se. Porém, ainda houve tempo para um clássico do Benfica nesta temporada - um golo sofrido em cima dos noventa minutos. Depois de falhar chances mais claras, Peixinho, de 21 anos, fez um verdadeiro golaço de pé esquerdo.

Benfica versão 2025/26 igualou, em termos de pontos, as duas épocas anteriores. Os 80 pontos chegaram apenas para o terceiro lugar, falhando o apuramento para a Liga Europa e os milhões decorrentes da competição. Os muitos milhões – de mais de 50, nesta época, na próxima temporada não pode ambicionar muito mais do que 30, chegando à final. No fim do jogo, assobios dos adeptos.

Falta a festa da Taça, no Jamor, para a época encerrar em Portugal. Aproximam-se de meses de fervor patriótico no Mundial e um mercado de verão que, em si, é outro campeonato. Quanto à Liga portuguesa, o Maisfutebol despede-se com um «até agosto».