Leve abalo nos festejos do «tetra», nada preocupante para um Benfica de coroa na cabeça e medalhas ao peito. Um veterano de guerra, carregado de cicatrizes, traumas vividos nas trincheiras da Liga e orgulho, muito orgulho, pelo ansiado e conquistado 36.

Ora, o Boavista pouco ou nada contribuiu para o foguetório encarnado. Na primeira volta empatou 3-3 na Luz, agora fez uma das melhores aparições da época e vergou a águia laureada a mais um empate no campeonato nacional.

Ironicamente, a equipa de Rui Vitória acaba o percurso com mais um golo no período de descontos. Autor? Um estreante chamado Branimir Kalaica, o melhor dos rookies lançados neste jogo de consagração.

FICHA DE JOGO DO BOAVISTA-BENFICA, 2-2

O empate no Bessa tem fortes atenuantes e é importante sublinhar isso. Rui Vitória mudou quase tudo, premiou quatro novos campeões nacionais (Paulo Lopes entrou; Pedro Pereira, Kalaica e Hermes foram titulares) e o Benfica esteve longe, muito longe, de ser uma equipa completa e consistente.

O primeiro golo do Boavista é bem ilustrativo disso. O passe de Iuri Medeiros – um portento de técnica este menino – e a movimentação de Fábio Espinho baralharam por completo as trémulas linhas da retaguarda da águia. Quando a bola chegou ao pé de Renato Santos, já se sabia que a carta do golo estava entregue e que o código postal era uma mera formalidade burocrática.

Terrivelmente agressivo na zona central (Lucas, Sampaio e Idris estiveram intratáveis), o Boavista jamais permitiu a Samaris e Filipe Augusto respirarem. Só André Horta surgiu num punhado de remates, mas até nesses momentos a fiabilidade da máquina de Vitória deixou mal os adeptos que seguem o «tetra» para todo o lado.

O lançamento da velocidade ao Rafa deu a ilusão de um Benfica diferente, mais mandão, até o Boavista se fartar e apontar para as debilidades do adversário. Erro do próprio Rafa, passe de Iuri Medeiros, finalização perfeita do maltês Schembri.

2-0, 52 minutos, terceira derrota do Benfica a pairar sobre o Bessa e… recuperação notável, através de crença, sofrimento e uma estrelinha da sorte que persegue esta equipa, que se cola e a protege. Ou será ao contrário?

Já com Raul Jiménez em campo, Rafa encontrou uma rara brecha para lançar Mitroglou e reduzir os males provocados pelo Boavista; para a resposta, Paulo Lopes a aparecer em duas situações, o Benfica a ameaçar como raras vezes fizera e… o golo redentor de Branimir Kalaica, com a bola a estourar no ferro e a bater, sim senhor, dentro da baliza de Vagner.

Fim de Liga, o Benfica a despedir-se com o sinal do costume, o mais forte: eficácia e fortuna de mãos dadas, imbatíveis.