A FIGURA: Iuri Medeiros

A bola chega a este pé esquerdo e cola. Descontraído, como na segunda parte, é um tratado de bem jogar. Sem ser individualista, sublinhe-se. Bola no pé, olhos levantados, procura pelo apoio e tabela. É dele o passe fabuloso para Fábio Espinho, antes do médio oferecer a Renato Santos o primeiro golo, e é dele a assistência mortal para Andre Schembri. Capacidade competitiva e qualidade mais do que suficientes para ser um grande reforço do Sporting 2017/18.    

O MOMENTO: testa de Kalaica para o empate (minuto 90)

O Benfica recuperou de um constrangedor 2-0 para um feliz 2-2 muito perto do apito final. Canto na esquerda bem batido, o central croata – em estreia absoluta – a elevar-se e a cabecear com estrondo ao ferro. A bola salta para dentro da baliza e Vagner já nada consegue fazer. Loucura no Topo Norte do Bessa, completamento lotado.     

OUTROS DESTAQUES

Kalaica

Estreia positiva e o prémio em forma de golo, já no período de descontos: canto na esquerda e cabeceamento fortíssimo para o 2-2. Mais sereno do que o colega Lisandro, bem a entregar a bola e a dobrar o lateral Pedro Pereira. Perdeu e ganhou lances com Schembri, às vezes por abordar jogadas com baixo nível de agressividade, mas tem boa estampa física e inteligência prática. É difícil avaliar um jogador só por 90 minutos, sim senhor, mas o central croata apresenta predicados interessantes. Mais um campeão lançado por Rui Vitória no Bessa.

Fábio Espinho

Parceiro do crime, alma gémea, confidente. Fábio é tudo isto de Iuri e juntos formam uma das duplas mais entusiasmantes da Liga portuguesa. Intenso, raçudo, tecnicamente muito forte, Fábio Espinho fez talvez a melhor exibição da época. Ofereceu o primeiro golo a Renato Santos e não parou um segundo. Um médio de excelência.

Andre Schembri

Perdeu a titularidade para Ivan Bulos durante algumas semanas, mas é mais e melhor jogador do que o peruano. Não tem a capacidade física do colega e compensa isso com inteligência, movimentação e técnica. O segundo golo do Boavista é excelente. O remate saiu rasteiro e muito colocado. Muito interessante este avançado.

Lucas e Philipe Sampaio

A muralha do Bessa pareceu intransponível grande parte do jogo. Na verdade, ruiu apenas aos 71 minutos. Uma desatenção permitiu a Rafa lançar Mitroglou e o grego não perdoou.

André Horta

Oito meses depois, titular num jogo da Liga. Tempo demasiado para um médio de evidente qualidade. Nas costas de Mitroglou, como um verdadeiro ‘número dez’, foi o mais rematador do Benfica ao longo do jogo. Massacrado pela marcação de Idris mas, mesmo assim, a ser capaz de encontrar espaços para aplicar a boa meia distância. O mais convincente das águias, principalmente no primeiro tempo.  

Pedro Pereira

O mais inseguro dos estreantes. Melhor a defender do que atacar, apesar de tudo, o que é importante. Não acompanhou Renato Santos no golo do Boavista e teve sempre dificuldades em acompanhar as movimentações do extremo axadrezado. No processo ofensivo decidiu vezes a mais com precipitação, não conseguindo ser o apoio que Zivkovic precisava. É jovem, mostrou competitividade assinalável em Itália e terá na próxima época espaço para competir, errar e crescer. No Bessa, de facto, não esteve bem.

Marcelo Hermes

O lateral ex-Grémio foi extremo esquerdo e a boa vontade apresentada não chegou. Mexido no início, voluntarioso, reagiu mal à agressividade positiva dos axadrezados e foi perdendo qualidade e participação. Jogou mais vezes para trás (Eliseu) do que seria desejável e não chegou uma vez à linha de fundo. Rui Vitória tirou-o ao intervalo. A rever.  

Mitroglou

O golo da ordem, a movimentação habitual. Entre dois defesas, de frente para a baliza, rematou com frieza e colocação. É assim a vida de um avançado.

  

Paulo Lopes

12 minutos em jogo, prémio justo para um profissional exemplar. Aos 39 anos, mais uma medalha de campeão.