Maicon indicou o caminho, mas o dragão perdeu-se à porta de casa.

A três minutos do fim, André Fontes decapitou o FC Porto. Empate, castigo severo para os homens de Lopetegui, consequência grave para o segundo momento de descontração numa noite para homens de barba rija.  

O outro ocorreu no golo de Iuri Medeiros. Quando se exigia níveis perfeitos de lucidez, o corpo central do FC Porto afrouxou a marcação. Iuri tabelou com Cardozo e colocou em jeito na direita de Iker Casillas. 49 minutos, 1-1.

Depois, risco máximo. Lopetegui mexeu, lançou o desinspirado Tello e Aboubakar – este para o lado de Osvaldo, em (boa) estreia a titular – e o FC Porto lá chegou ao segundo golo a jogar em 3x3x4.

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Se conduzir não beba? A regra não se aplica a Jesús Corona. Na posição-dez, ao volante do processo ofensivo do FC Porto, o mexicano abriu a lata e engoliu a baliza do Moreirense. Resolução bem sucedida, mas não definitiva, a 12 minutos do fim.

A vitória parecia garantida, o FC Porto tinha o jogo na mão e um punhado de golos desperdiçados. E do quase nada, o Moreirense empatou. André Fontes vestiu a pele de herói, capa e espada a desenhar um ponto para cada lado.

Difícil compreender este FC Porto. Bipolar como se sugeriu a Lopetegui, muito mais do que previsível. Do hospício ao paraíso, e de um estado celestial às masmorras da dúvida. Não é fácil, de facto, deslindar solução para os lapsos competitivos dos dragões.

Três mudanças em relação ao Clássico – Danilo, Herrera e Dani Osvaldo de início – e tremendas dificuldades para contornar o músculo e a organização do Moreirense.

Ivan Marcano cobriu-se de ridículo logo a abrir (valeu Casillas ao Porto), o Moreirense subiu linhas, fez uma pressão interessante, mas com o golo de Maicon os azuis e brancos ganharam o controlo do jogo.

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Com o tal golo de Iuri, o duelo foi de suster a respiração. O mais possível, como se Harry Houdini vestisse o excêntrico traje castanho do FC Porto e mergulhasse ambas as equipas num tanque cheio de água.  

A cada passe errado, a cada remate disparatado, o desespero. Nem por artes mágicas, o condomínio de luxo do Moreirense, fechado por muros e arame farpado, queria ruir.  

Corona teve Stefanovic deitado e falhou (68 minutos), Varela falhou não se sabe bem como (72), Osvaldo obrigou Stefanovic a defender por instinto (74).

Ameaças sérias, e golo. Obra e graça de Corona. O FC Porto reorganizou-se defensivamente, mas mal. Com equívocos.

Iker Casillas ainda roubou o golo a Luís Carlos, só para André Fontes fazer o 2-2 final logo depois.

Brahimi volta a preocupar

Num dos capítulos intermédios, Brahimi lesionou-se e está em risco para o Chelsea. O que podia correr mal ao FC Porto, correu. No segundo golo dos cónegos, aliás, Maicon está fora do lance. Aparentemente lesionado. O Moreirense aproveitou, sem ter de fazer mais do que uma mão cheia de remates.

Os cónegos levam quatro golos na Liga, dois na Luz e dois ao FC Porto, para dois pontos na tabela.

Os dragões perdem mais dois a jogar fora do Dragão e ficam à espera do que farão Sporting e Benfica. Num jogo em que tiveram tudo para acabar a sorrir, como em Kiev, aliás, noutro 2-2 amargo. A boa memória do Clássico não teve seguimento no Minho.

Dragão bipolar, sim, caro Lopetegui. Como se num instante deixasse de reconhecer o próprio lar.