O Portimonense obteve a primeira vitória em casa em jogos para o campeonato, depois de uma primeira-parte muito boa e merecedora de números mais robustos do que a vantagem mínima que a equipa algarvia levou para intervalo. Depois, a mudança de atitude do Famalicão ainda colocou em causa essa superioridade, mas o segundo golo dos algarvios, obtido a menos de vinte minutos do fim, deu uma almofada que geriu o aperto final dos minhotos.

As dinâmicas do Portimonense passavam por um 5x4x1 a defender, com Fernando a encostar aos centrais e Henrique a fechar a esquerda. Com bola e a sair para o ataque, na equipa comandada por António Folha os laterais ficavam com os corredores e Aylton Boa Morte e Dener fletiam para zonas interiores. Apenas Pedro Sá, médio mais defensivo, Lucas Fernandes, mais ofensivo e o ponta-de-lança Jackson Martinez mantinham o mesmo posicionamento. Tabata foi o grande ausente e em relação ao empate na Madeira com o Marítimo, Hackman e Rodrigo Freitas também ficaram de fora. As novidades no onze foram, Fernando, Henrique e Dener.

João Pedro Sousa colocou o Famalicão em 4x3x3 e com duas alterações no onze inicial, tendo como comparação o último jogo da liga, no empate a três com o Moreirense: Roderick e Guga Rodrigues foram titulares em detrimento de Patrick William e Gustavo Assunção. Os minhotos sentiram muitas dificuldades na primeira metade em impor o seu jogo e raramente colocaram em perigo a baliza algarvia. A preocupação maior passou por tentar travar as transições algarvias, muito rápidas e (quase) sempre pelos corredores.

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A evidência da superioridade do Portimonense começou a refletir-se também em oportunidades de golo e num espaço de três minutos os algarvios dispuseram de quatro flagrantes ocasiões para se colocarem em vantagem: a primeira aos 18 minutos, por Dener, que cabeceou ao lado, no minuto seguinte uma excelente jogada de Henrique pela esquerda, com cruzamento para a pequena área fazendo a bola passar por Rafael Defendi, e com a baliza aberta Jackson Martinez não conseguiu desviar por escassos centímetros surgindo Koki Anzai que ainda tocou na bola, mas esta saiu ao lado, e aos 22 Ayton Boa Morte aproveitou um falhanço de Nehuen Perez e avançou para a baliza, mas o remate foi intercetado pelo defesa argentino, que ainda chegou a tempo de cortar para canto. Para terminar este festival de perdidas, Dener, na sequência do canto, de cabeça obrigou Rafael Defendi a grande defesa para evitar o golo.

Mas a vantagem acabaria mesmo por surgir ainda antes do descanso, e pela estratégia mais utilizada pelos algarvios: corredor ganho, neste caso o direito por Aylton Boa Morte, e cruzamento rasteiro atrasado para a entrada da área onde apareceu solto Dener, para fuzilar com um remate também rasteiro: a bola foi na direção do guarda-redes, que não deve ter tido a melhor visão, tapado por Riccieli e deixou a bola passar por baixo do corpo. O marcador, aos 33 minutos, tinha, finalmente, números mais reais com a produção de jogo das duas equipas.

A quatro minutos do intervalo, um remate de fora-da-área de Diogo Gonçalves, o mais ativo dos minhotos, exemplifica a nulidade atacante da equipa minhota.

Após o intervalo os minhotos forma um contraste em termos exibicionais: subiram as linhas, começaram a defender mais longe da sua baliza e reapareceram mais atrevidos: Toni Martínez, aos 55, surgiu na área descaído para a esquerda e em boa posição de remate, mas a bola saiu fraca e à figura de Ricardo Ferreira. Sete minutos depois o Famalicão encontrou grandes facilidades na zona frontal e uma triangulação deixou Pedro Gonçalves na cara de Ricardo Ferreira, só que a finalização não foi a melhor, com a bola a passar rente aos poste esquerdo da baliza.

Folha não estava certamente satisfeito com o que estava a ver e colocou Paulinho em campo, saindo Dener, e alterou o esquema, desfazendo a defesa de cinco elementos e passando a jogar em 4x4x2, adiantando Fernando para o lado de Pedro Sá e ordenou que Lucas Fernandes estivesse mais próximo de Jackson Martinez.

Apenas quatro minutos após a alteração tática, o Portimonense aumentou a vantagem, numa grande penalidade convertida por Lucas Possignolo, e que foi alvo de análise pelo VAR que confirmou a decisão de Iancu Vasilica. O lance começou num lançamento para a zona frontal a solicitar Ayton Boa Morte, que foi derrubado por Roderick. O terceiro dos algarvios esteve perto de surgir poucos minutos depois e outra vez com Aylton Boa Morte em ação: lançou Henrique, que rematou cruzado ao lado, em boa posição.

Os visitantes apertaram nos últimos minutos e aos 81 minutos, Diogo Gonçalves atira em arco ao poste esquerdo da baliza algarvia, para quatro minutos depois Anderson visar a baliza, com Ricardo Ferreira a desviar para canto com uma palmada. No primeiro minuto de compensação dos cinco que o árbitro deu, o guarda-redes algarvio disputou a bola com Nico Schiappacasse dentro da área e o árbitro entendeu que Ricardo Ferreira cometeu falta, assinalando grande penalidade, que Fábio Martins aproveitou para reduzir, na recarga: Ricardo Ferreira adivinhou ainda defendeu mas a bola sobrou para o avançado português, que não perdoou. Um golo que validou a atitude mais ofensiva dos minhotos na segunda-parte, mas serviu apenas para isso: o tempo já era escasso para tentar evitar a derrota.