Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, em declarações na conferência de imprensa após a derrota por 2-1 frente ao Alverca, em partida a contar para a 18.ª jornada.
Análise do jogo
«Eu acho que foi um jogo muito aberto, mais do que aquilo que nós gostaríamos. Penso que, ofensivamente, fomos uma equipa que conseguiu ter bola. O Alverca também baixava muito, era muito rápido a recuperar. Estamos a falar de uma equipa que, para além de ter bons jogadores, é forte fisicamente. E nós, quando batíamos a primeira linha de pressão, se não tivéssemos capacidade para depois sair rápido, eles conseguiam recuperar bem e fechar a baliza. Mas, mesmo assim, penso que tivemos algum sucesso do ponto de vista ofensivo em chegar ao último terço, faltando claramente a objetividade. Temos de perceber que, algumas vezes, temos presença na área e temos de arriscar um pouco mais o cruzamento. Às vezes temos algumas bolas descobertas à entrada da área e temos de arriscar um pouco mais o remate. Curiosamente, um cruzamento que até nem foi o melhor do mundo, em que nós arriscámos, acabou por dar frutos no momento do golo. Já defensivamente, penso que, com o decorrer do tempo, e isso ainda se verificou um bocadinho nos últimos minutos da primeira parte, o Alverca começou a ter algumas aproximações perigosas à nossa baliza. Conseguiu bater a nossa pressão, porque nós estávamos a chegar um pouco tarde, perdemos alguns duelos, e isso acabou por dar alguma confiança à equipa do Alverca, que conseguiu ter essas aproximações e, se calhar com um pouco mais de objetividade, a bola acabou por andar mais próxima da nossa baliza, ainda que sem grandes oportunidades. Os golos, obviamente, têm mérito dessas aproximações, mas ao mesmo tempo acho que são dois erros clamorosos da nossa parte, que não deveriam ter acontecido. Uma coisa é um lance em que chego tarde à pressão, mas tenho a equipa montada e organizada; outra coisa é termos momentos em que fazemos um penálti um bocado despropositado, ou o lance do segundo golo, em que partimos a equipa desnecessariamente porque tomámos más decisões a saltar. Mas penso que, no geral, foi um jogo equilibrado, daqueles que pode cair um bocadinho para os dois lados, porque nós, a verdade é que depois também tivemos oportunidades para fazer o empate. Ainda assim, não acho que caia mal para o lado do Alverca, porque do ponto de vista defensivo não estou muito satisfeito. Acho que podíamos ter feito melhor.»
Acutilância ofensiva do Alverca dificultou o jogo
Isso acaba por estar tudo relacionado, não é? Eu penso que o Alverca, lá está, é uma equipa que gosta de jogar, joga bem, os jogadores têm muita qualidade e depois são fortes fisicamente. E nós tínhamos de tomar uma decisão: ou tínhamos uma abordagem de bloco muito mais compacto, um pouco como o Alverca acabou por ter connosco, porque não saltavam muito, tinham de ser muito provocados para ativar a primeira linha de pressão, ou então a nossa abordagem habitual. Nós gostamos de ativar, gostamos de saltar, e até tivemos algum sucesso no início do jogo. A questão é que fomos perdendo, e eu não quero dizer que seja a parte física, porque acho que não está muito relacionado com isso, mas aqui ou ali, se calhar até um bocadinho mais à esquerda do que à direita, fomos perdendo alguns duelos, chegando um pouco tarde à pressão. Aí, sim, o Alverca foi uma equipa objetiva. Acabou por fazer muitos cruzamentos, algumas bolas passaram perto da nossa baliza. E se calhar essa objetividade que o Alverca teve quando conseguiu chegar ao nosso último terço foi também um bocadinho aquilo que nos faltou quando lá conseguimos chegar. Daí eu dizer que acho que foi um jogo muito equilibrado, porque as duas equipas tiveram algum sucesso e conseguiram bater a pressão uma da outra. Depois, trata-se de momentos do jogo, e acabou por cair mais vezes para o lado do Alverca. Mas, lá está, acho que não fomos a equipa que costumamos ser do ponto de vista defensivo, e isso acabou por marcar o jogo. Volto a dizer: ofensivamente, era sempre um jogo muito exigente, porque, especialmente na primeira parte, o Alverca não se queria desmontar nada, não nos deu qualquer tipo de jogo interior, mesmo assim, conseguimos provocar algum. Parabéns ao Alverca, que acabou por merecer a vitória.»
Carinho dos adeptos do Alverca
«Como é óbvio, tive a oportunidade de o dizer na antevisão: é algo que nos diz muito. Passámos aqui algum tempo, fomos felizes, assim como sentimos esse carinho; nós também temos esse carinho por eles e agradecemos. Mas, lá está, o jogo começa e isso não interessa para nada. O que interessa é fazer o meu trabalho da melhor forma. Não consegui ajudar a equipa a ter o sucesso que queríamos. Portanto, vamos já trabalhar na próxima semana para dar uma resposta em nossa casa, junto dos nossos adeptos, a quem também aproveito para agradecer. Foi uma viagem dura, de autocarro, bastou um temporal, o início do jogo também. Ainda assim, tenho de ressalvar o excelente trabalho que o Alverca fez na recuperação do estádio, muito mais confortável do que seria no ano passado, em que estaríamos o jogo todo à chuva.»