Pela terceira ocasião desde a chegada à Primeira Liga, o Arouca, a jogar em casa na última jornada, condenou um adversário à descida de divisão: depois de B SAD (21/22) e Boavista (24/25), o Tondela desceu para a Segunda Liga ao perder em Arouca por 3-1. Um encontro no qual os arouquenses estiveram a vencer, viram o Tondela empatar, mas conseguiram resgatar os três pontos, perante um Tondela cuja tentativa de inverter o trágico destino pareceu curta para o panorama em que se inseria.
No que diz respeito às escolhas dos treinadores, Vasco Seabra rendeu o castigado Fontán por Omar Fayed, ausente das escolhas iniciais desde dezembro. No Tondela, Gonçalo Feio repetiu o onze dos últimos dois triunfos.
Duelo de conjugação de amarelos vencido pelos caseiros
De um lado, o Arouca, nas suas vestes canarinhas, de amarelo e azul. Do outro lado, o Tondela, hoje a jogar com um equipamento maioritariamente negro, mas conhecido pelas suas vestes auriverdes, com o amarelo e o verde presentes.
Neste duelo de conjugação de amarelos, foram os da casa quem estiveram melhor no primeiro tempo, apesar do Tondela, nos primeiros minutos do jogo, ter registado algumas aproximações à baliza de Arruabarrena, fruto de erros da defensiva arouquense na construção de jogo: primeiro, aos 6’, o Tondela avançou pela esquerda e cruzou, mas a bola foi afastada por Javi Sánchez. No minuto seguinte, o cruzamento veio da direita e Hugo Félix falhou a emenda na cara do golo.
Dois primeiros ensaios de um Tondela que, apesar da dinâmica com Rony Lopes ajudar na construção de jogo, sentia-se falta de presença na área, até porque o Tondela foi apostando em cruzamentos que apenas encontraram como destinatários jogadores arouquenses. Com naturalidade, os da casa começaram a crescer no jogo, aproveitando espaços abertos na defensiva beirã. Trezza arrancou aos 14’ em zona interior-esquerda e rematou cruzado para defesa de Bernardo Fontes. O guardião visitante pouco ou nada poderia ter feito ao minuto 20’, quando Fukui, capitalizando uma segunda bola à entrada da área, encheu o pé e fez a bola acabar no fundo das malhas.
Até ao intervalo, nota apenas para um cruzamento de Rony Lopes, num livre aos 43’, que passou rente ao poste direito. Uma das pouquíssimas chances de perigo concreto de um Tondela que sentia dificuldades ofensivamente (apesar de mobilizar muitos homens nesse momento, sentia-se falta de presença na área), perante um Arouca que esteve sempre confortável após fazer o golo e que podia ter dilatado a vantagem.
Resposta tondelense foi fugaz e rapidamente esvaiu-se
Foi tranquilo o arranque do segundo tempo, sem nenhuma das duas equipas a assumirem o controlo das operações até à hora de jogo, altura em que o Tondela correu com maior ímpeto atrás do resultado. Aos 58’, com um corte in extremis, Javi Sánchez negou maior perigo a um desenho do ataque tondelense.
Aos 65’, confirmou-se mesmo o golo dos beirões, assinado por Rony Lopes. Num novo desenho bem efetuado, Aiko amorteceu a bola para o atacante português rematar rasteiro e reacender a esperança das centenas de tondelenses presentes na bancada descoberta do Municipal de Arouca, dado que os resultados dos jogos de Casa Pia e Estrela da Amadora. Três minutos depois, podia ter-se confirmado a reviravolta, quando Maranhão, na profundidade, capitalizou um erro crasso de Diogo Monteiro, mas atirou ao lado. Também Hugo Félix, aos 72’, tentou a sua sorte, mas Arruabarrena negou-lhe o golo.
Pouco depois do início do quarto de hora final, altura em que as emoções estavam mais intensas, o Arouca voltou a colocar-se na frente do marcador. Num canto pela esquerda, Esgaio tocou ao primeiro poste para a zona do segundo, onde Trezza só teve de empurrar de cabeça. Um golo que galvanizou os arouquenses e fez esmorecer os ânimos do Tondela: prova disso foi o 3-1 ao minuto 85, quando Nandín arrancou pela esquerda, tirou Hodge do caminho e serviu Lee, que fantasiou no coração da área antes de fazer o 3-1 final. Desse momento em diante, apesar do curto tempo, o Tondela não conseguiu esboçar qualquer reação.
Assim, os arouquenses terminam esta edição do campeonato no 8º lugar, com 42 pontos, enquanto o Tondela acabou mesmo por não sair do 17º lugar, caindo para a Segunda Liga com 28 pontos somados.
MELHOR EM CAMPO: Alfonso Trezza
O extremo uruguaio, a viver a melhor temporada pelos Lobos de Arouca, terminou a época ao marcar um golo de forma invulgar: isto porque, no alto do seu metro e 69 de altura, cabeceou para o fundo das redes no lance do 2-1. Para lá do golo, esteve sempre ativo nas faixas do ataque (começou à direita, acabou à esquerda), especialmente no primeiro tempo, onde registou o primeiro remate à baliza dos arouquenses e também algumas arrancadas intensas, como é seu hábito
O MOMENTO: Apito final e confirmação da descida do Tondela
Perante centenas de tondelenses, que procuraram manter vivo o sonho da permanência, a equipa do Tondela não conseguiu fazer a sua parte, que era triunfar em Arouca. Ainda por cima, os resultados dos encontros de Casa Pia e Estrela da Amadora foram favoráveis ao conjunto da Beira Alta.
POSITIVO: O futebol arouquense
Numa época em que chegaram a ocupar as últimas posições, o Arouca efetuou uma segunda volta bastante positiva e termina esta edição do campeonato no 8º lugar, com 42 pontos. Os arouquenses souberam superar os momentos de maior aperto e terminarem a época em crescendo, o que dá um alento extra para a próxima temporada desportiva.