Declarações de Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, na sala de imprensa do Estádio Municipal de Arouca, após a vitória (2-0), na 10.ª jornada da Liga:
Análise ao encontro
«Um jogo muito difícil. Eu tenho que elogiar aqui a equipa do Arouca pela qualidade que consegue colocar no seu jogo, principalmente do ponto de vista ofensivo. Nós queríamos pressionar mais, queríamos condicionar mais, roubar bolas mais à frente e em muitos momentos não conseguimos, fruto da qualidade que eles demonstraram. Mas o jogo não é só esse momento e penso que, somando todos os momentos, fomos bastante melhores do que o adversário.
Das vezes em que fomos obrigados a baixar um bocadinho mais e a defender mais próximo da nossa baliza demonstrámos muita competência a fazê-lo. Não permitimos que o Arouca fosse por dentro, que é uma coisa que gosta de fazer, canalizamos sempre muito o jogo deles para os corredores, muita situação de cruzamento que nós controlámos quase todas bem. Houve algumas que tiveram ali oportunidades próximo da nossa baliza, mas mais mérito da equipa do Arouca do que propriamente mérito da nossa parte.
Mas depois, do ponto de vista ofensivo, é que eu acho que nós fizemos toda a diferença. Sabíamos claramente que o Arouca deixava muito espaço livre no lado contrário, concentrava muita gente a pressionar o lado da bola e tínhamos uma estratégia muito bem definida de ir buscar o lado contrário e eu penso que aí fomos muito competentes. Tivemos muitas situações perigosas, podíamos ter decidido melhor em algumas outras e eu acho que aí podíamos ter feito um bocadinho mais.
Fica obviamente uma satisfação muito grande, principalmente pelos jogadores, têm trabalhado muito, temos muita malta que vai estando de fora e a nossa gestão tem tentado que seja o mais coerente possível porque efetivamente temos um plantel muito homogéneo, com muita qualidade. Jogue quem jogar, eles têm dado resposta. Quem vem de fora normalmente acrescenta muito e, portanto, estamos muito contentes com este regresso às vitórias.»
Desafios táticos que o Arouca provocou ao Moreirense
«O Arouca tem muita versatilidade na construção. Muitas vezes, constrói com um quadrado, os dois centrais, dois médios, os laterais baixos, mas, a partir dessa base, eles desdobram muito, com o David a dar muita versatilidade. Pode encaixar no meio dos centrais, pode encaixar por fora quando encaixa um dos médios, o lateral projeta, o extremo vai para dentro. Obriga a muita concentração da nossa parte, nós que partimos de uma base em 4-4-2, é preciso os nossos extremos terem coragem para continuar altos, para conseguir pressionar a construção vendo o lateral a fugir por fora.
A estratégia passava por criar desconforto, nós sabíamos que a equipa do Arouca tem muita qualidade com bola e, se nós não tivéssemos capacidade de pressão, íamos ser muito empurrados para trás. Não conseguimos tantas vezes como queríamos, mas, as que pressionámos, pressionámos bem, forçámos alguns erros e fomos perigosos na transição ofensiva. As que tivemos que baixar acho que acabámos por ser competentes.
E também não foi por estarmos mais baixos que perdemos qualidade na nossa transição ofensiva. Do ponto de vista defensivo, tínhamos claramente muitas preocupações para parar este Arouca. Do ponto de vista ofensivo, o Arouca concentra muita gente no lado da bola, queríamos ir para o lado contrário e fizemo-lo com muito sucesso e conseguimos também ser muito perigosos por aí».
Exibição de Schettine, que regressou à titularidade e bisou
«Está num momento fortíssimo, muito confiante e muito ligado, mas tem que continuar a dar ao chinelo porque tem dois meninos cheios de fome de aparecerem na equipa. Fico satisfeito, mas fico satisfeito com todos, porque, para a bola chegar lá, as coisas têm que funcionar desde trás e, portanto, acho que, no global, ele tem sido a expressão daquilo que também é o que os outros conseguem produzir.»