Respira-se um «Petit» melhor nos Açores. O Santa Clara alcançou na Vila das Aves o segundo triunfo consecutivo, saltando para fora dos lugares aflitivos. Um golo de livre direto, de Gabriel Silva já na segunda metade, deu o triunfo ao conjunto insular (0-1), naquela que foi mais uma estocada no emblema avense.
Longe de ser deslumbrante, pelo contrário, o embate acaba por valer precisamente pelos três pontos para o Santa Clara, que encarreirou numa série de quatro jogos sem perder com Petit no comando técnico, ganhando nova alma. A expulsão de Paulo Vítor aos 65 minutos, ao ver o segundo amarelo numa falta que deu livre direto e expulsão por acumulação de amarelos, acabou por ser determinante.
O Santa Clara já estava melhor, ligeiramente por cima no jogo, mas a realidade é que faltava arrojo para ser realmente perigoso. Em vantagem numérica e com o golo de Gabriel Silva, livre superiormente cobrado, criaram-se condições para o triunfo. Um arco do triunfo do brasileiro.
Num jogo entre aflitos, que à entrada para esta jornada ocupavam lugares que não garantem a manutenção, AVS e Santa Clara tinham neste confronto direto uma oportunidade para somar, mas encararam o desafio mais com receio de perder pontos do que propriamente de os amealhar.
Esse estigma foi-se sentindo ao longo do jogo, que teve um ritmo muito baixo, com várias paragens, demasiados erros de parte a parte, perdas de bola inexplicáveis e muito pouco futebol para amostra. Foi preciso esperar meia hora pelo remate, um disparo de muito longe de Matheus Pivô, que saiu longe do alvo. Sintomático do jogo pobre a que se assistiu.
AO MINUTO: as incidências do jogo
Menos mau, o Santa Clara acabou por crescer na reta final da segunda metade, sendo a equipa mais incisiva. Serginho teve nos pés uma oportunidade soberana, grande passe de Klismhan a picar por cima da defesa, o médio recebe de forma orientada, mas permitiu a defesa a Adriel.
O domínio, ainda que tímido, diga-se, continuou na segunda metade, sendo o jogo resolvido no tal lance de bola parada. Má abordagem de Paulo Vítor em cima da linha da área, já tinha amarelo, deixando a equipa de João Henriques numa situação complicada. Mais complicada ficou com a execução perfeita de Gabriel, naquele que foi o momento do jogo.
Caíram por terra as aspirações do AVS. João Henriques até tinha refrescado o ataque, acrescentando Tunde e Perea às alas, mas com menos uma unidade em campo e em desvantagem a equipa sucumbiu, também por força da gestão do Santa Clara, que congelou o jogo.
Prestação simples do Santa Clara. Foi uma equipa organizada e pragmática: não cometeu erros, aproveitou para marcar num lance de bola parada e teve capacidade para controlar o jogo na fase final, não dando qualquer réstia de esperança ao AVS, que volta a perder após dois empates. Os avenses não marcaram qualquer golo nos últimos quatro jogos.
Até ao apito final o Santa Clara até podia ampliar a vantagem, matando o jogo, mas a vantagem mínima prolongou-se. Segundo triunfo consecutivo do Santa Clara com a baliza a zeros, parecer estar a entrar numa navegação em águas tranquilas. Meio ano depois voltou a ganhar fora de portas.
A FIGURA: Gabriel Silva
Num momento de inspiração, em que deixou sair o seu talento, o brasileiro marcou o jogo com um grande golo. Nem sempre a prestação foi exuberante, o jogo em si não foi um grande palco para isso, mas ainda assim teve nesse gesto técnico a varinha mágica que resolveu. Ainda aturou ao ferro num golpe de cabeça, pouco depois.
O MOMENTO: golo do Santa Clara (68’)
Execução exímia, golo de belo efeito do brasileiro. Livre direto de Gabriel Silva à entrada da área, a deixar Adriel pregado ao relvado. O guarda-redes nem se fez à bola, vendo o esférico parar apenas no fundo as redes. O momento que define o jogo, valendo os três pontos para os açorianos.