Faltam cinco barreiras até à linha de meta. O Sporting conseguiu saltar a custo por cima do obstáculo criado pelo Santa Clara, no sábado, mas o Benfica tropeçou em casa diante do Arouca, um dos adversários teoricamente mais acessíveis nesta reta final de 'corrida'. Os encarnados continuam de pé, mas empataram e perderam dois pontos essenciais perante mais 60 mil adeptos... que saíram do estádio em silêncio.

A corrida pelo título continua bastante dividida, faltando cinco jornadas para o fim e um duelo decisivo na penúltima jornada entre os dois 'cavalos de corrida'. Agora seguem lado a lado, com 69 pontos somados em 29 jogos. O campeonato pode cair tanto para um lado como para o outro da Segunda Circular. Kokçu e Pavlidis marcaram os golos do lado benfiquista, já o Arouca marcou por Yalcin e Weverton… aos 90+6m.

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Equilíbrio na primeira parte, Pavlidis com pontaria 'a mais'

O duelo aguerrido da primeira volta, decidido apenas com um autogolo de José Fontán e uma grande penalidade convertida por Ángel Di María, fez com que Bruno Lage pusesse um tom sério na antevisão ao jogo. Pediu «humildade» aos jogadores e aos adeptos e alinhou com um onze na máxima força – o mesmo utilizado na goleada sobre o FC Porto, no Dragão, por 4-1. Depois de outra goleada diante do Tirsense, o Benfica voltava ao campeonato com a ‘obrigação’ de ganhar para voltar a ultrapassar o Sporting.

Antes do jogo, cumpriu-se um minuto de silêncio por uma figura de um clube rival ao Benfica – Aurélio Pereira, antigo olheiro e dirigente do Sporting. De modo geral, foi respeitado por milhares de adeptos que se levantaram e aplaudiram. Porém, ouviram-se alguns sibilos vindos da bancada como que a imitar um ‘very light’. Uma atitude deselegante que recorda um episódio negro do futebol português.

Diante do 4-3-3 habitual utilizado por Bruno Lage, o Arouca apresentou-se praticamente em espelho, variando entre um 4-3-3 e um 4-2-3-1. A postura da equipa de Vasco Seabra era atrevida, tentando sair curto no pontapé de baliza (mas acabaram por abdicar desse princípio a meio da primeira parte).

O Benfica infiltrava-se bastantes vezes no último terço e até na grande área dos arouquenses, mas tinha dificuldade em chegar a Pavlidis. Os defesas do Arouca intercetaram praticamente todos os cruzamentos, quer pelo chão, quer pelo ar. A primeira vez que Mantl teve trabalho foi aos 12 minutos, com um remate traiçoeiro de Akturkoglu a ser defendido para canto. Na sequência de cantos, o Benfica ameaçava e os jogadores do Arouca cortaram duas vezes em cima da linha de golo, para desespero dos benfiquistas.

De vez em quando, o Arouca punha a cabeça à superfície. Ora por remates de fora da área (Sylla) quer por cruzamentos venenosos que não tiveram melhor resposta (Trezza não cabeceou bem a cruzamento de Jason). O duelo estava equilibrado e a melhor chance da primeira parte chegou mesmo antes do intervalo.

Motivado pelo bom momento, Vangelis Pavlidis tirou um adversário da frente (fazendo lembrar a ‘maldade’ feita a Nehuén Pérez uma semana antes) e rematou na direção do poste mais distante. A bola beijou o ferro e saiu.

Homenagens ao intervalo, quatro golos e... emoção

Ao intervalo, nenhuma alteração mas bastantes homenagens. Primeiro, ao italiano Fabrizio Miccoli, emblemático jogador do Benfica entre 2005 e 2007, muito acarinhado neste regresso à Luz. Depois, às pentacampeãs de futebol feminino e, finalmente, ao aniversariante José Augusto, antigo futebolista da época dourada do clube que cumpre 88 anos.

A segunda parte começou com uma prestação ainda melhor do Arouca. Com mais posse de bola e oportunidades de golo, o Estádio da Luz ainda se silenciou por uma ou duas ocasiões face ao perigo causado a Trubin, que ainda fez um par de intervenções. Numa delas, era António Silva que ia marcando auto-golo.

A resposta do Benfica surgiu aos 15 minutos da segunda parte… e com golo. Grande incursão de Carreras do lado esquerdo, fazendo um túnel à entrada da área, cedendo a bola a Aursnes na entrada da área. Altruísta, o nórdico amorteceu a bola para Orkun Kokçu brilhar. Grande remate do turco com força e colocação para o poste mais distante, num remate indefensável. Explosão nas bancadas.

Mas o espetáculo não se ficou para aí. Dez minutos depois, o Arouca ganhou grande penalidade após um carrinho longo demais de Nico Otamendi. Jason sentiu o toque e o árbitro António Nobre confirmou a decisão após revisão no monitor do VAR. Perante uma gigante assobiadela, o turco Yalcin não tremeu e empatou a partida.

Perante as dificuldades, Bruno Lage fez duas alterações. Florentino e Di María saíram, Schjelderup e Belotti entraram. Na sequência de um canto, Kokçu cruzou bem ao segundo poste e Vangelis Pavlidis cabeceou afirmativamente ao segundo poste. Nova explosão de alegria nas bancadas, com o Benfica a regressar ao primeiro lugar na tabela.

A Luz ainda celebrou outro golo aos 85 minutos, desta feita de Schjelderup, mas estava em fora-de-jogo. Ficou na retina a finalização certeira na cara de Mantl. Com novo tento nos pés, Pavlidis falhou no coração da área logo a seguir. Porém... faltava o golpe final.

Já com a defesa do Benfica algo desequilibrada, aos 90+6m, um contra-ataque bem desenhado pelos arouquenses culminou em golo. Um cruzamento atrasado encontrou Weverton, recém-entrado, para finalizar sozinho. A Luz entrou em depressão.

Cabral ainda foi lançado em desespero, Schjelderup ainda pediu penálti por empurrão, mas o jogo acabou mesmo com empate a duas bolas que relança a discussão do campeonato de forma mais intensa.