A gestão de crise é um serviço pago a peso de ouro nos dias que correm, em que a internet é omnipresente e se move por 'ondas'. No futebol, essa resposta aos momentos críticos é mais simples do que no marketing ou na comunicação - basta marcar muitos golos e dominar o adversário numa bela tarde de sol.
Após uma semana em que o Benfica esteve no 'olho do furacão' pelo caso Prestianni-Vinicius, os adeptos benfiquistas puderam desfrutar de alguma normalidade na receção ao AVS, com um triunfo incontestado por 3-0, com direito a golos bonitos e regressos de velhos conhecidos. Uma exibição que mereceu 'ondas'... nas bancadas. Algo já pouco frequente.
Mourinho geriu o plantel a meio de uma eliminatória a duas mãos com o Real Madrid em que o Benfica continua vivo. Talvez ainda mais com a derrota dos merengues contra o Osasuna. José Neto, Alex Bah e os já mais habituais Rafa Silva e Andreas Schjelderup responderam à titularidade com belas exibições. Sudakov foi baixa por lesão.
Bah regressa em grande, Rafa Silva assina golo de letra
Ou não fosse este um duelo entre o terceiro e o último classificado, a partida teve, em determinados momentos, semelhanças a um jogo de preparação. Parecia haver um acordo tácito entre as duas equipas, um pacto de ‘agressão mínima’. O AVS perdia tempo mesmo a perder e o Benfica consentia o ritmo baixo da partida.
A bancada reagia de forma morna ao jogo, fazendo regressar um antigo habitué – a «onda». Algo que não se via na Luz há muito tempo, seguramente por uma confluência de fatores. Por entre os pingos da chuva, o Benfica ia-se instalando no meio-campo adversário. A primeira vitória do AVS no campeonato, na jornada passada, não deu fôlego suficiente para ameaçar as águias.
Alex Bah contribuiu desde cedo para essa tranquilidade. O lateral marcou à passagem dos 11 minutos no regresso aos relvados após um ano de ausência por lesão. Surgiu num terreno pouco habitual para si e marcou no coração da grande área, após primeira defesa de Adriel. Belo momento.
O segundo golo chegou na sequência de um canto. Aos 30m, Enzo estava no sítio certo para aproveitar a ressaca oriunda de um primeiro corte. Remate potente de pé esquerdo e uma celebração dirigida para os 'haters'. Tudo encaminhado.
O melhor golo chegaria já em cima do intervalo, num lance de génio de Rafa Silva. Sem espaço nem enquadramento para rematar de pé esquerda, utilizou uma ‘letra’ picada para o lado mais distante e enganou tudo e todos, dentro da grande área. Pouco antes, tinha falhado um golo cantado de trivela. Abrilhantar é com o português.
A vantagem podia ter sido maior, caso Vangelis Pavlidis e Rafa Silva tivessem sido mais clínicos e Adriel não fosse evitando males maiores. Andreas Schjelderup, por outro lado, ia-se destacando no capítulo da criação de oportunidades, numa exibição muito séria.
Segunda parte de gestão, a pensar em Madrid
Se a primeira parte foi tranquila, a segunda foi aborrecida. O Benfica conservou a posse com competência, mas não atacava com a mesma 'fome'. Mourinho geriu a partir do banco logo ao intervalo, tirando o muito utilizado Otamendi para o lugar de Tomás Araújo. A braçadeira passou para António Silva.
Mourinho fez entrar ainda Dodi Lukébakio (sem deslumbrar), Franjo Ivanovic, Anísio Cabral e Diogo Prioste. O croata ocupou a posição de extremo-esquerdo mais uma vez, mostrando alguma vontade de aparecer em jogo, mas os sinais não enganam: é terceira opção para ponta-de-lança.
O AVS sai da Luz com um resultado digno, tendo em conta a diferença de poderio financeiro e qualitativo das equipas. Já o Benfica vai mais ‘levezinho’ para Madrid, onde tem um duelo que vale bastantes milhões. A missão da 23.ª jornada foi cumprida com distinção.