Os adeptos do Benfica regressaram a casa mais reconfortados neste domingo. Depois de eliminações nas Taças e uma escorregadela em Turim, o Benfica voltava ao Estádio da Luz com dúvidas a pairar no ar. Ainda para mais, com uma pouco habitual 'reunião' entre adeptos e dirigentes no Seixal.
Porém, esta noite teve um sabor a reconciliação entre equipa e adeptos, que até exibiram uma tarja onde se lia «juntos até ao fim». Ainda para mais, em dia de efemérides – a morte de Miklos Fehér e o aniversário de Eusébio, ambos homenageados.
Além disso, houve reencontros felizes para o lado encarnado – Rafa Silva voltou a vestir a camisola vermelha e branca um ano e meio depois, Sidny foi homem do jogo diante da antiga equipa e Vangelis Pavlidis fez as pazes com o golo.
Mesmo com poucos objetivos até final da temporada (e todos sabem disso), a Luz voltou a ter mais de 54 mil adeptos. Os jogadores corresponderam com seriedade e houve aplausos no final. Apesar da dificuldade sentida na primeira parte, Pavlidis bisou, Sidny e Anísio Cabral (sim, leu bem) fizeram os golos da vitória. O Estrela sofre nova goleada.
Marasmo da primeira parte interrompido por cabeçada de Pavlidis
Com um duelo de milhões no horizonte, com Real Madrid, José Mourinho promoveu alguma gestão no onze inicial. Surpreendeu com a estreia de Daniel Banjaqui no onze em jogos para o campeonato e lançou Sidny Lopes Cabral a extremo-esquerdo, com Enzo a render Barreiro no meio-campo.
O treinador do Estrela, João Nuno, que tem tido sucesso desde que assumiu o comando técnico da equipa, teve de enfrentar várias ausências e alinhou com dois reforços de janeiro no onze – o médio-defensivo Janssen, vindo do Norrkoping, e médio-centro Tom Moustier, ex-Essen.
A primeira parte foi muito morna, num final de tarde frio. As paragens multiplicavam-se, promovidas pelo Estrela da Amadora e consentidas pelo Benfica, mas a tónica era unidirecional – o Benfica dominava, com os visitantes a terem dificuldade para pisar o meio-campo ofensivo.
Dentro dessa tendência, José Mourinho teve, no entanto, um susto à passagem do momento dois. Talvez ainda frio, Otamendi fez um atraso muito curto para Trubin que acabou nos pés de Antonetti, isolado diante do ucraniano. Bateu o guarda-redes, mas António Silva limpou o perigo.
Depois disso, só deu (moderamente) Benfica. O jogo foi ditado por um ritmo baixo, com bastantes quezílias entre jogadores, pedidos ao árbitro David Rafael Silva e assistência médica a jogadores. Foram mostrados cinco cartões amarelos e o tempo útil... era o prejudicado.
O meio-campo do Estrela marcava com especial atenção Sudakov e Enzo Barrenechea. Jansson, jogador com estatura de andebolista, vigiava o apagado ucraniano e Moustier marcava Enzo. O Benfica desequilibrava nas alas, mas faltava penetração na grande área contrária.
Aursnes, após um belo cruzamento de Sidny (8m), o próprio Sidny, de livre direto (18m) e Dahl, com um pontapé rasteiro, (45+4m) tiveram as melhores chances. Mas o golo foi assinado pelo suspeito do costume – Vangelis Pavlidis. Após três jogos sem marcar, anotou de uma forma pouco habitual para ele: de cabeça, na sequência de um belo canto de Sidny. A bola ainda beijou a trave antes de entrar.
Segunda parte de domínio benfiquista, estreias e reencontros
A segunda parte foi mais fácil para o Benfica. O Estrela teve mais dificuldade em manter a coesão e acompanhar o fluxo ofensivo das águias. Aos 53 minutos, a missão da equipa de João Nuno ficou mais espinhosa com uma grande penalidade cometida por Jefferson sobre o antigo colega de equipa Sidny Cabral. Sem dúvidas.
Na conversão, Pavlidis redimiu-se da insólita escorregadela em Turim e atirou um míssil contra a barra, com a bola a remeter-se para dentro da baliza com violência. Um penálti de raiva do grego, que voltava ao conforto do campeonato português.
Sidny não se conformou. Já tinha assistido, já tinha mexido com o jogo, mas o ex-Estrela conseguiu mesmo marcar à antiga equipa. Talvez Bernardo Schappo tenha pensado que o natural de Roterdão fosse ainda seu companheiro, pois acabou por desmarcá-lo na cara de Renan Ribeiro. O guardião hesitou, ficou a meio caminho, e Sidny rematou ao poste mais distante. Fácil.
Restou gerir o jogo e os minutos nas pernas. José Mourinho lançou Schjelderup, Dogo Prioste e… Rafa Silva. Sim – o ex-Besiktas, que tinha saído em 2024 a custo zero, voltou a jogar de vermelho e branco no Estádio da Luz. Parece até que nem tinha saído. Foi mais aplaudido do que assobiado no regresso. A dez minutos do final, mais uma estreia para o currículo de Mourinho – Anísio Cabral, avançado campeão mundial sub-17 que rendeu Pavlidis.
Mas não foi só uma estreia para ganhar minutos e conhecer o relvado. O jovem avançado de 17 anos marcou no primeiro toque na bola! Daniel Banjaqui, colega de seleção, cruzou para a cabeça do avançado que desviou muito bem para dentro da baliza. Que cabeçada.. e que coincidência. Anísio Cabral marcou aos 84 minutos no dia em que Eusébio faria 84 anos.
O jogo terminou aplausos da bancada para os jogadores, que prolongaram a volta pelo relvado. Mesmo com pouco por lutar até final, a equipa de José Mourinho pôde sentir-se em casa.