Quem seria o adepto que, antes do início da temporada, não assinaria por baixo a possibilidade de ver a sua equipa terminar o campeonato sem qualquer derrota? Provavelmente, até ficaria a fazer contas ao avanço que poderia vir a ter no topo da tabela, mas o que a edição 2025/2026 da Liga veio confirmar é que nem sempre perder [em doses modestas, claro está] é pior do que deixar de ganhar um jogo.
Foi nesta espécie de realidade alternativa que o Benfica, e os seus adeptos, viveram ao longo desta época. Acabar o campeonato invicto, mas no terceiro lugar, algo que nunca se tinha visto na história da prova. Não perder um jogo sequer e falhar a ida à Liga dos Campeões, 18 anos depois. Pouca coisa parece ter lógica aqui, mas a matemática ajuda a explicar este aparente paradoxo.
Focamo-nos primeiro nas constantes. Nas últimas duas épocas, o Benfica trocou de treinador exatamente no mesmo mês, setembro, primeiro com Bruno Lage a suceder a Roger Schmidt [os últimos dois treinadores campeões nas águias], e depois com José Mourinho a assumir o lugar de Lage. Curiosamente, os encarnados também somaram mesmo número de pontos [80] nos últimos dois anos, só que esta época eles não valeram o mesmo nas contas finais.
Logo à partida, se o Benfica foi segundo classificado em 2025, esta temporada ficou-se pelo terceiro lugar, o que não acontecia há quatro anos. Consequência disso, falhou o apuramento para a Champions e só entrará diretamente na fase regular da Liga Europa caso o Sporting vença o Torreense na final da Taça de Portugal.
Se a queda de um lugar, de uma temporada para a outra, não se explica pelo número de pontos, há um conjunto de dados que o fazem. É que o Benfica somou menos vitórias [23 contra 25], mais do dobro dos empates [11 contra 5], marcou menos 10 golos [74 contra 84] e sofreu mais três [28 contra 25].
A quebra de rendimento das águias também fica espelhada nas outras competições que disputou em 2025/2026. Ao contrário do que tinha acontecido há um ano, o Benfica falhou as finais da Taça da Liga [que conquistou na época passada] e da Taça de Portugal, perdida para o Sporting.
Na Liga dos Campeões, passou de ter atingido os oitavos de final, em 2024/2025, para se ficar pelo play-off esta época. E isso teve reflexos nos proveitos financeiros que retirou da participação na Champions, que baixaram quase 20 milhões de euros [de 71,4 milhões de euros para 53,1 milhões de euros].
A quebra de rendimento deu-se apesar de o Benfica, esta temporada, até ter investido mais 40 milhões de euros em reforços e refreado o ímpeto nas vendas, que renderam menos 155 milhões de euros de um ano para o outro.
Mesmo na era do futebol moderno, em que os clubes se tornaram empresas cotadas em bolsa, são os resultados alcançados no campo que continuam a ficar para a história. E aí o Benfica foi de mais a menos nos últimos dois anos. Neste caso, é mesmo preciso ler a letras pequeninas para perceber o porquê. É que acabar a época invicto e com os mesmos pontos do que há um ano valeu mesmo menos às águias. Ainda tem dúvidas de que a matemática nunca falha?