Quem viu o Benfica-Casa Pia de 9 de novembro de 2025, no Estádio da Luz (2-2), e quem viu o Casa Pia-Benfica de 6 de abril de 2026, no Estádio Municipal de Rio Maior (1-1), concluirá o óbvio – as personagens podem ter mudado ligeiramente, mas a narrativa do jogo foi praticamente a mesma. Quase uma sequela cinematográfica, com os problemas habituais que as sequelas apresentam – a sensação de que assistimos a algo requentado e menos espetacular (visto que os golos rarearam).
Para os benfiquistas, este segundo filme tem ainda mais uma agravante. O empate que seria, à primeira vista, dispensável, tirou qualquer aspiração do Benfica ao título, caso os dois rivais escorregassem. E até o segundo lugar, que dá acesso à Champions, fica mais difícil. Uma sequela que... deixa sequelas. Um golo de Rafael Brito, formado no Seixal, anulou outro de Richard Ríos. E no final do jogo, contestação e assobios. Como quando pagamos bilhete para um filme e o melhor foram... as pipocas.
Benfica bem batia à porta, mas a Casa estava trancada
O Benfica voltava à rotina do campeonato duas semanas depois, depois dos compromissos de seleções, com nova possibilidade de pressionar o rival Sporting e igualar os leões em termos pontuais, mesmo que estes tenham menos um jogo, e dois dias depois de uma escorregadela inesperada do FC Porto contra o Famalicão.
Mourinho operou quatro alterações no onze inicial, algumas delas forçadas, outras por opção. Face à ausência de Amar Dedic por castigo, o técnico lançou Alex Bah na lateral-direita. Os lesionados Tomás Araújo, Fredrik Aursnes e Leandro Barreiro não surgiram sequer na ficha de jogo e deram lugar a António Silva, Enzo Barrenechea e Richard Ríos. Prestianni ficou no banco a observar o regresso de Lukebakio ao onze, após uma boa prestação ao serviço da Bélgica.
Num relvado bem distante da casa original dos gansos, um dos clube históricos de Lisboa recebeu outro emblema lisboeta em Rio Maior, numa noite chuvosa. Isso não desmotivou milhares de benfiquistas, que preencheram bem as bancadas do Estádio Municipal e deixaram tímidos os adeptos da casa.
O Casa Pia apresentou-se com um bloco defensivo muito comprometido ao longo da primeira parte, organizando-se muitas vezes em 5-2-3. Nada passava pela linha defensiva dos gansos – e isso ia gerando bastantes cantos para as águias, dada a quantidade de cortes efetuados. Schjelderup e Lukebakio cortavam para dentro, tentavam desequilibrar a defensiva com ajuda dos laterais, mas a porta… estava trancada.
Face a isso, surgia não raras vezes o plano B – os remates de fora da área. Ríos teve o mais perigoso, logo aos nove minutos, obrigando a uma bela intervenção de Patrick Sequeira. Além dele, Dodi Lukebakio tentou a sua sorte. Mas pedia-se paciência aos comandados por Mourinho.
O Benfica causava frisson quando colocava muita gente na grande área contrária, normalmente em cantos, mas faltava sempre melhor sorte. Exemplo disso foi o desvio de David Sousa, defesa casapiano, ao poste esquerdo da sua baliza. E Sequeira ia controlando a área. O Casa Pia ainda deu o ar de sua graça nos descontos, com um remate de Tiago Morais a ser aliviado em cima da linha de golo por Enzo. Calafrio.
Benfica chegou ao golo naturalmente, mas deixou-se empatar (outra vez)
A segunda parte trouxe um domínio ainda mais acentuado do Benfica no que diz respeito à posse de bola, com algumas ocasiões de golo que punham em sentido os casapianos. Primeiro, por Rafa Silva, que rematou a um palmo do poste já dentro da grande área. Depois, com um cruzamento-remate de Otamendi que saiu pela linha de fundo. E, logo a seguir, Ríos falhou o golo já na pequena área, com Sequeira a fazer-lhe frente.
O Benfica reagiu quando Gianluca Prestianni entrou em campo, aos 60 minutos. Um apagado Lukebakio andou até à linha lateral para dar lugar às ‘ganas’ do pequeno argentino. Aos 69m, encontrou o caminho para o golo com um belo cruzamento ao segundo poste. Schjelderup cabeceou para o lado contrário e Ríos surgiu da frente para trás com convicção suficiente para o 1-0. Festa dos benfiquistas presentes em Rio Maior.
Rios apareceu no sítio certo para abrir o marcador 🦅#sporttvportugal #LIGAnaSPORTTV #ligaportugalbetclic #casapiaac #slbenfica #betanolp pic.twitter.com/5BO09Jirhm
— sport tv (@sporttvportugal) April 6, 2026
Mas a euforia durou pouco. Aos 78 minutos, um contra-ataque dos gansos acabou punido num golo de Rafael Brito, produto da formação do Seixal. Após um lance de grande confusão, um corte de António Silva assistiu na perfeição o médio, que finalizou com frieza. Segundo golo como senior aos 24 anos.
Mourinho olhou para a zona de aquecimento e não teve contemplações. Chamou Franjo Ivanovic e Anísio Cabral para jogarem ao lado de Vangelis Pavlidis, numa tentativa desesperada de marcar. Porém, a incapacidade dos encarnados foi gritante. O empate consumou-se e o Benfica fica com 66 pontos, atrás do Sporting. Já os gansos ganham um ponto importante, somando 24, na luta pela manutenção. O 16.º classificado volta a surpreender o Benfica.