José Mourinho tanto insistiu que o Benfica estaria bem posicionado numa alegada liga virtual, que a equipa terá mesmo acreditado que os três pontos já tinham sido creditados nas contas dos encarnados, ao ver 1-0 no marcador, quando foi para o balneário. Foi preciso um valente choque de realidade, traduzido numa entrada desinibida do Gil Vicente no segundo tempo, para que as águias agarrassem nos três pontos e levantassem voo.
O autor dessa proeza foi Andreas Schjelderup, que resolveu a questão numa grande jogada individual, aos 73 minutos. O norueguês serviu um bacalhau na terra do galo e alimentou uma águia faminta de pontos.
O Gil Vicente criou a primeira ocasião de perigo logo nos primeiros minutos, mas o Benfica rapidamente tomou conta da bola. No jogo de posse, os encarnados tiveram algumas dificuldades, porque os gilistas pressionaram com intensidade, recuperaram bolas em zona adiantada e ameaçaram com ataques rápidos. Optou, então, a equipa da Luz, pelo recurso às bolas longas.
A vantagem chegou no melhor momento do Benfica na partida e já depois de Rafa ter desperdiçado uma grande ocasião de golo. A bola parada ajudou a mascarar as dificuldades em bola corrida e o 1-0 apareceu num canto, num lance em que Lucão podia ter feito mais e Vangelis Pavlidis deu uma ajuda, após o cabeceamento de António Silva.
O Gil Vicente manteve o atrevimento, enquanto o Benfica ainda enviou uma bola à barra e, depois, geriu o jogo à sua maneira até ao intervalo.
Valente picadela na águia
A entrada do Benfica na segunda parte não foi nada que já não se tivesse visto esta época. A equipa de Mourinho voltou apática, sem reação, enquanto o Gil Vicente veio determinado a relançar o jogo.
Foram precisos apenas sete minutos para os gilistas marcarem - pelo meio, Aursnes ainda saiu lesionado -, mas nesses sete minutos o jogo só teve um sentido: o da baliza de Trubin. E, por falar no ucraniano, muito mal ficou no lance do 1-1. Após um lançamento lateral executado de forma rápida, o Gil Vicente apanhou toda a equipa do Benfica em contrapé, inclusive Trubin. Perante a passividade, prevaleceu a matreirice de Héctor Hernández.
É justo dizer, também, que o galo picou a águia com o golo do empate. O Benfica adotou imediatamente outra postura, muito mais virado para o ataque, com velocidade e verticalidade.
E a mudança foi tão drástica que Andreas Schjelderup, até então a passar completamente ao lado do jogo e muito errático, colocou o Benfica de novo na frente com uma finalização categórica, quanto faltava pouco mais de um quarto de hora para jogar.
A equipa de Mourinho não se livrou de alguns sustos até ao final e arriscou-se a sofrer o empate, mas segurou a vantagem para sair de Barcelos com os três pontos.
Apito final e, na Liga real, as águias seguem a três pontos do Sporting e a sete do FC Porto. Nessa tabela, o título parece uma miragem, mas ainda há pelo que lutar - há Clássico já na próxima jornada.