Custódio, treinador do Alverca, em declarações na Flash Interview da BTV, após a derrota por 2-1 frente ao Benfica, em partida a contar para a 21.ª jornada do Campeonato Nacional.
Análise do encontro
«Acho que foi um bom jogo. Sabemos que este tipo de jogos é muito difícil. Sabíamos que com o Clássico [n.d.r.: entre FC Porto e Sporting], o Benfica não podia perder pontos. Nós queríamos muito jogar também com essa parte mental e emocional do jogo. Acaba por ser uma primeira parte dividida, em que conseguimos ter bons momentos com bola, na nossa saída, bem organizados, e pareceu-me que estivemos, quase todo o jogo, bem defensivamente. Naturalmente, na segunda parte, um ascendente do Benfica dentro do normal, também pelo significado que este jogo tinha para eles. Agora, aquilo que era a imagem de sermos competitivos, de tentar lutar pelos pontos aqui, acho que poderíamos ter saído com um empate, é um facto.»
Chissumba e Chiquinho carregaram o lado esquerdo
«Nós tínhamos uma estratégia, tínhamos ali uma dupla largura. Não sabíamos se o Prestianni nos ia baixar com o Chissumba ou pressionar o central pela esquerda. Acabou por sair. Depois, dada a velocidade deles, podíamos ter alguma vantagem, também com o Marezi a ajudar naquele tipo de movimentos de profundidade. O golo acaba por aparecer um bocadinho com esse desbloqueio. E sim, podíamos ter utilizado de forma diferente à esquerda e à direita, também pela forma como o Benfica defendia, como colocava os jogadores por dentro. O Chiquinho saiu porque teve ali algum desconforto. Nada que me pareça grave, mas algum desconforto, e por precaução acabámos por ter de o tirar. Mas, bem, estamos tristes por não termos conseguido aquilo que queríamos, que era a conquista de pontos, verdadeiramente tristes. E deixe-me deixar esta mensagem, porque isto é que é importante: tristes por aquilo que se passa em Portugal. Porque isto é só um jogo de futebol; nós lutamos, nós tentamos, mas acho que temos de estar de mãos dadas e solidários com esta questão das cheias, que afetam muitas famílias. E o nosso apoio, a nossa ajuda e o nosso pensamento estão sempre com eles. E, de forma solidária, acho que o futebol também deve ajudar.»
Jogar olhos nos olhos
«Não podemos esconder aquilo que somos. A jogar no Benfica, a jogar em Braga, a jogar no Estoril, em Famalicão, nas Aves, nós não escondemos. Agora, nós sabemos que pode haver, dadas as circunstâncias da nossa época, o crescimento da equipa e a forma como construímos o clube e o plantel, alguma falta de consistência. Mas nós estamos a lutar por ela e isso sente-se, sente-se os jogadores a lutar por ela. Sente-se essa mentalidade e essa tentativa de agarrar uma cultura que se quer dar ao clube. Para isso, precisamos de toda a gente, inclusive dos nossos adeptos, é muito importante. E hoje, excecionalmente, estiveram excecionais no apoio, mas nós precisamos deles todos os dias, perto dos jogadores, para eles sentirem realmente que estão no caminho certo. Não só quando ganhamos, mas também quando perdemos, quando as coisas não nos correm bem, quando não apresentamos essa consistência. Isso é muito importante, porque eles serão sempre o futuro do clube.»