Se o Benfica, como disse Mourinho, está motivado para ir à «caça» de quem tem à sua frente, a entrada em jogo para uma noite vitoriosa em Vila do Conde mostrou que a águia não quer mesmo tropeçar mais na perseguição a FC Porto e Sporting.
No virar de página para a segunda volta, e após os insucessos na Taça da Liga e na Taça de Portugal no espaço de uma semana, o Benfica venceu o Rio Ave – algo que não tinha feito na primeira volta na Luz no primeiro jogo caseiro de Mourinho – e continua a três pontos do Sporting e à espera do que o líder faça no domingo em Guimarães.
A caça em Vila do Conde, numa noite gélida, foi feita com tiros certeiros e bem cedo. Aliás, foi até o Rio Ave, com algum azar no autogolo de Ntoi, a dar um involuntário tiro nos pés nesse lance, que daria, com o 2-0, outro conforto ao Benfica após o golo inicial de Leandro Barreiro.
Mourinho também tinha dito que a «tristeza» estava a transformar-se em «força e energia» e foi isso que se viu na águia desde cedo: 45 minutos iniciais bons e um resultado que podia ter ido bem mais além do 2-0 ao intervalo. Com Otamendi, Sudakov e Schjelderup como novidades no onze – o norueguês, que se destacou à esquerda, não era titular para a Liga há quase quatro meses e mereceu a confiança após ser utilizado no Dragão – o Benfica assumiu o jogo desde cedo. E o golo foi uma questão de tempo.
Ao minuto 16, o cruzamento preciso de Sudakov, que encontrou a cabeça de Barreiro ao segundo poste, deu uma vantagem então já justificada pela equipa de Mourinho. Antes, já tinha havido uma bola ao poste e ameaças por Pavlidis e Dedic, valendo então ao Rio Ave as ações de Abbey.
E nove minutos bastaram para novo golo, desta vez com a ajuda de Ntoi após uma investida de Dedic, num autogolo que dobrava a diferença e consolidava o que era o filme do jogo. Um Benfica superior, dominador. Com força e energia para resolver cedo, antes de uma deslocação decisiva a Turim para a Liga dos Campeões. Pelo meio, Cláudio Pereira reverteu um penálti inicialmente assinalado por mão de Athanasiou em lance com Dedic.
No meio de uma primeira parte sólida, é preciso dizer que houve brilho e alegria. Foram dos melhores 45 minutos que se viram deste Benfica de Mourinho: desde Dedic bem envolvido no ataque pela direita, Barreiro e Aursnes sólidos na ligação defesa-ataque e constantes boas combinações entre os extremos Schjelderup e Prestianni, Sudakov (que jogou nas costas de Pavlidis) e o grego… que tanto espaço teve para jogar muito e bem no apoio, de costas para a baliza. Isto mesmo com um Rio Ave bem povoado na retaguarda.
Ao intervalo, era muito mais do que o 2-0. E os números espelhavam isso: 4-15 em remates, 28-72 em posse de bola e 1-6 em cantos. Do outro lado, a procura pelos rasgos de André Luiz – alvo do Benfica no mercado – não resultou. E, para Trubin, só um remate de Ntoi a rasar o poste assustou ao minuto 39.
Na segunda parte, foi sobretudo gerir, perante um Rio Ave pouco capaz de ferir a defensiva encarnada, exceto num remate certeiro de Clayton que acabou anulado por fora de jogo. Prestianni ainda arrancou a segunda parte como acabou a primeira – rematador e à procura do seu golo – mas o 2-0 não se alterou, nem mesmo com posteriores tentativas de Pavlidis ou Sudakov.
Com força e energia, sobretudo na primeira parte, o Benfica voltou às vitórias. A caça continua na Liga... e vira agora a meio da próxima semana para o objetivo europeu.